Eu tinha medo de viajar de avião. Medo de alturas. Não subo nem desço de escada-rolante. Não entro em elevador panorâmico. Passarelas altas sobre as ruas? Também não. Nada disso. E foi de um tempo pra cá. Antes, bem antes, eu não era assim. Visitei Corcovado e Redentor. Quase voei de Asa-Delta. Aconteceu. Apenas aconteceu. Nunca mais havia subido alto. Até pegar o vôo e me sentir a pessoa mais feliz do mundo em poder ver o que vi.
Hoje fui ver minha Avó. Mas não fui de carona, fui de ônibus. E tive de atravessar a Av. Ipiranga, pela passarela alta de lá. Fui. Apenas fui. No início, olho fixo no chão. Depois, pude levantar a cabeça e olhar a extensão da Avenida, o Arroio, as pessoas lá embaixo.
Outro medo vencido. Outra vitória. Desci bem dali. Mas foi para ver o corpo da Vó cada vez menorzinho, como as pessoas lá embaixo nas ruas. Ela olhava fixa para a própria mão, como se não a reconhecesse. Olhava como se perguntasse como isso foi acontecer. Eu olhava pra ela olhando para ela. Será que a Vó tem medo de altura? Acho que tem: não toma escada-rolante também. Precisava dizer a ela que o céu é lindo lá de cima.
NA. 26.11.2008.
Que lindo isso, prima.
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