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21 de nov. de 2008

Discordando um pouco de Sir William...

É: tem horas que a gente não precisa de amor. Nem de paixão desmedida ou beijo na boca. Concordo que haja momentos nos quais não há necessidade disso. Se bem que, não precisar, não significa não querer. Falando por mim, sempre quero paixão. Posso não estar precisando, mas querendo, ahhh, sempre! Aliás, o que não preciso é que seja recíproca, uma vez que eu esteja sentindo e, sentir, seja o suficiente para garantir a “viagem”, o delírio, a vertigem, o fascínio e, logo, a Arte!
Também é verdade que às vezes a mão no ombro e o abraço apertado sejam tudo! Ontem mesmo coloquei as duas mãos nos ombros de uma amiga que estava com tensão muscular, depois da peça, INGRID, protagonizada por Carolina Virguez, nossa recente amiga. Como a peça trata dos 6 anos de cativeiro de Ingrid Betancourt, saímos tensas, como se tivéssemos vivido uma hora - parcela ínfima - daquela atrocidade de 2323 dias à qual Ingrid foi submetida. Coloquei as mãos sobre os ombros e fiquei tentando desfazer um pouco da tensão. E dei um abraço apertado na Carolina, a atriz-aniversariante. Porém, apesar do gesto ter sido querido, de estar preocupada com a amiga (Patrícia), sei que o que realmente fez um bem enorme, foi a risada contínua que durou horas, depois da bobagem que eu disse. E rir é muito muito bom.
Convenhamos: cada coisa tem seu momento. E esses gestos lindos, mão no ombro, abraço apertado, cumplicidade, são vitais! Só não concordo, tipo assim 100%, que nessa hora a gente se chame de “seu amor”. Enquanto estamos agindo como cúmplices, estendendo a mão (sem mentir, mesmo que sinceramente, por favor), somos o todo da amizade mesmo: outro tipo de amor. Mas não o “seu amor”. Compliquei? Lamento. Mesmo sabendo que amor inclui todas as coisas, mostra todas as nossas faces.
Quando vim para Brasília, não imaginava que tanta coisa aconteceria. Tanto riso, conversa boa, tanto encontro, horas maravilhosas permeadas por momentos tensos nos quais precisei das amigas que tenho. De cujos amores não vai dar mais pra viver sem. Nem me imagino mais sem elas. Na boa! Porque são mais que amigas, que irmãs: sou apaixonada por elas. E nunca tive nem terei o menor pudor de declarar a paixão desmedida por elas. De ficar olhando e captando nuances, gestos lindos, carinhos de saudade depois do dia de trabalho. Sentimos amizade todas nós. Mas sentimos também a paixão presente, que não é de mão no ombro, mas de correr para ler o último post engraçadinho da NA. De fazer com tesão a comida que saciará um desejo. Paixão de sentar-se no chão, à luz de velas, e ouvir violão com toda a ânsia! A mesma que solta no meio da massagem, um “meu bem...”. E ri desmedidamente na nudez da autenticidade.
Acometida pelo amor, devota da amizade. Mas apaixonada pela paixão. E creio, mesmo, que seja possível temperar tudo com ela. Um pouquinho em cada coisa: na hora de tocar, na de compor, na de dirigir ouvindo música, na conversa antes de dormir, na lágrima pós-post, na mão no ombro inclusive, meu bem! Como sei que é possível que ela dure muito sim! Está provado, certo amada? Amor, amizade, são ‘coisas do bem’. De altruísmo. Paixão, adoração, gana, fome do outro, são ‘coisas das boas’. Boas de ter, de sentir, de exercer. É como se houvesse dentro disso, um tanto de altruísmo temperado com uma pitada de egoísmo, sabe? Dar e receber, ir e vir, troca! Gosto muito de café. Mas..., chocolate....meu bem...meu bem...meu bem!
NA, 21.11.08 - Manhã.
Remendo: peça INGRID. Com Carolina Virguez. Assista!

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