Hum...vejamos...
Caldinho de feijão – amor. Chá de camomila, amizade. Vinho = paixão.
Calor de Sol que bronzeia, queima e descasca, amor. Brique da Redenção, banco de praça, tomando Chimarrão, naquele calor de solzinho de inverno que aquece, amizade. Calor do fogo da lareira, em frente a ela, que incendeia, paixão.
A Música, amor. O Canto enquanto acompanho, amizade. O Violão, paixão.
É que às vezes tem qualquer coisa. E sei quando é amizade, convivo como tal, recebo, nomeio: amigo. Vem o tempo e forja o amor de ser humano para ser humano. Vira amizade+amor. Mas ainda assim, às vezes tem qualquer coisa.
Uma sensação. Uma atmosfera. A gente está ali, junto a outras pessoas, fazendo trocas, rindo, falando sério. Eis que, de repente, entra essa outra pessoa no ambiente. E a atmosfera muda um pouco, coisa mínima, mas muda. Parece que o corpo sente. O ar mudou. O clima dentro da cena. É que tem qualquer coisa ali.
Quando é só amor, a gente faz carinho doado, para que a pessoa saiba que não está só. Mesmo que a mão doa, faz por amor. Para mostrar que ele existe, para exercê-lo. Sê-lo. Quando é amizade, a gente faz carinho para estar com, compartilhar. Mas quando tem qualquer coisa ali, a mão sente prazer em fazer o que está fazendo, seja por amor, seja por amizade. Não só a pele do outro sente prazer em receber, como a mão sente prazer em dar. Afago, Carinho, Carícia. Constatações lógicas. Eu sou uma pessoa lógica embora pareça subjetiva. No amor a gente vive a cena – seja ela que cena for. Do jeito que vier, a gente vive. Na amizade, a gente planeja: uma viagem, uma festa; marca, agenda, vai. Na paixão a gente projeta a cena, imagina, de olhos fechados e abertos, às vezes no meio das compras no super quando a gente esquece o que foi comprar.
Quando toco, sei que entro numa viagem à qual só eu faço parte. Viro parte do som, das cordas; me deixo levar por elas. Entrega, também, como às palavras. A arte me leva. E isso é paixão pura, talvez a maior da minha vida. Não sei, de verdade, o que está acontecendo ao meu entorno. Quem presencia, sabe, vê o que tento descrever inutilmente agora. Não posso descrever o que não vejo. Quem vê, que descreva por mim. Mas não sinto o corpo, não vejo nada, não percebo coisa alguma, nem mesmo as notas que intuo. Não sei seus nomes, que acordes são. Não os lembro depois, se quiser repeti-los. Com as palavras acontece o mesmo. Com tudo que minhas mãos gostam de fazer. Intuo o tempero daquele momento, quando preparo a comida. Experimento a cor do papel que irá cobrir a caixa. Ouso um acorde novo onde saia uma nota qualquer e fique sua ausência sendo ouvida. Assim, cada beijo será também criado, improvisado nos lábios em que se derem, em harmonia com o instante em que sair do sonho e virar carícia. Simplesmente é assim. Não posso descrever. Cada instante é um. Como na Teoria, em que cada momento foi único; houve um de céu aberto, outro de noite fechada, outro de sol na cara, outro dentro do carro. E cada um foi composto lá, da forma como era lá, na atmosfera que pairava naquele ar, naquela cena, daquela vez. Hoje seria outro, um novo, desde que houvesse qualquer coisa ali. Um olhar? Una mirada! Ficar? Quedarse. Um Cavalo-Marinho? Unicornio. Uma profundidade? Una cáscara. Não importa. O que somos, a tudo comporta. Cabe. Pulsa. Vibra, lateja, vive! Desde que haja qualquer coisa ali...que mude o ar, que chape os olhos, que pese as pernas que trema o gesto, que deixe, que venha, que sinta, que vaze.
21.11.08 – NA. 11h.
Caldinho de feijão – amor. Chá de camomila, amizade. Vinho = paixão.
Calor de Sol que bronzeia, queima e descasca, amor. Brique da Redenção, banco de praça, tomando Chimarrão, naquele calor de solzinho de inverno que aquece, amizade. Calor do fogo da lareira, em frente a ela, que incendeia, paixão.
A Música, amor. O Canto enquanto acompanho, amizade. O Violão, paixão.
É que às vezes tem qualquer coisa. E sei quando é amizade, convivo como tal, recebo, nomeio: amigo. Vem o tempo e forja o amor de ser humano para ser humano. Vira amizade+amor. Mas ainda assim, às vezes tem qualquer coisa.
Uma sensação. Uma atmosfera. A gente está ali, junto a outras pessoas, fazendo trocas, rindo, falando sério. Eis que, de repente, entra essa outra pessoa no ambiente. E a atmosfera muda um pouco, coisa mínima, mas muda. Parece que o corpo sente. O ar mudou. O clima dentro da cena. É que tem qualquer coisa ali.
Quando é só amor, a gente faz carinho doado, para que a pessoa saiba que não está só. Mesmo que a mão doa, faz por amor. Para mostrar que ele existe, para exercê-lo. Sê-lo. Quando é amizade, a gente faz carinho para estar com, compartilhar. Mas quando tem qualquer coisa ali, a mão sente prazer em fazer o que está fazendo, seja por amor, seja por amizade. Não só a pele do outro sente prazer em receber, como a mão sente prazer em dar. Afago, Carinho, Carícia. Constatações lógicas. Eu sou uma pessoa lógica embora pareça subjetiva. No amor a gente vive a cena – seja ela que cena for. Do jeito que vier, a gente vive. Na amizade, a gente planeja: uma viagem, uma festa; marca, agenda, vai. Na paixão a gente projeta a cena, imagina, de olhos fechados e abertos, às vezes no meio das compras no super quando a gente esquece o que foi comprar.
Quando toco, sei que entro numa viagem à qual só eu faço parte. Viro parte do som, das cordas; me deixo levar por elas. Entrega, também, como às palavras. A arte me leva. E isso é paixão pura, talvez a maior da minha vida. Não sei, de verdade, o que está acontecendo ao meu entorno. Quem presencia, sabe, vê o que tento descrever inutilmente agora. Não posso descrever o que não vejo. Quem vê, que descreva por mim. Mas não sinto o corpo, não vejo nada, não percebo coisa alguma, nem mesmo as notas que intuo. Não sei seus nomes, que acordes são. Não os lembro depois, se quiser repeti-los. Com as palavras acontece o mesmo. Com tudo que minhas mãos gostam de fazer. Intuo o tempero daquele momento, quando preparo a comida. Experimento a cor do papel que irá cobrir a caixa. Ouso um acorde novo onde saia uma nota qualquer e fique sua ausência sendo ouvida. Assim, cada beijo será também criado, improvisado nos lábios em que se derem, em harmonia com o instante em que sair do sonho e virar carícia. Simplesmente é assim. Não posso descrever. Cada instante é um. Como na Teoria, em que cada momento foi único; houve um de céu aberto, outro de noite fechada, outro de sol na cara, outro dentro do carro. E cada um foi composto lá, da forma como era lá, na atmosfera que pairava naquele ar, naquela cena, daquela vez. Hoje seria outro, um novo, desde que houvesse qualquer coisa ali. Um olhar? Una mirada! Ficar? Quedarse. Um Cavalo-Marinho? Unicornio. Uma profundidade? Una cáscara. Não importa. O que somos, a tudo comporta. Cabe. Pulsa. Vibra, lateja, vive! Desde que haja qualquer coisa ali...que mude o ar, que chape os olhos, que pese as pernas que trema o gesto, que deixe, que venha, que sinta, que vaze.
21.11.08 – NA. 11h.
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