“Essa poeira de escombros de que se nutre a tristeza”.
Acordei com essa canção hoje, em meio aos escombros do que vivo. Mas a tristeza é menor. Sinto apenas aquela sensação de que é hora. É chegada a hora da partida. Já não há nada que eu possa fazer. A beleza que havia, a certeza, a vontade de reconstruir, tudo virou escombro. Como Santa Catarina, belíssima, única, que também está agora desmoronada sobre si mesma. Ainda dói contemplar a cena. Mas a dor diminui a cada dia e, a cada dia aumenta a força interior que começará um novo traçado, um novo ciclo. Talvez este seja o abandono necessário. A desistência lúcida sobre alguma coisa. Eu, que procuro nunca desistir, reconheço a necessidade de algumas desistências em nome de algum renascimento.
Me asseguro na fé. Que nunca me faltou na hora exata. Crio saídas dentro da minha cabeça que não pára. Ajeito os caminhos, recebo palavras boas que me dizem: vai! Segue teu destino: de ‘Caravela’, por Olívia Byington. Palavras de gente de cujas bocas não esperava que saíssem e saíram. Palavras de mãe? Agora? Vida louca, vida linda! Ela disse: vai! Vai cuidar de ti! E me contou sobre a mochila que ela diz carregar nas costas, na qual há tudo que ela tem. Mochila pequena, de acordo com ela. Porque nada se leva de verdade. Nada. “Apenas o sorriso que recebeu e o sorriso que causou”.
Não sei ainda quanto daqui levarei comigo. Tantos objetos queridos, histórias muitas de uma vida nem tão longa assim, mas de uma intensidade farta. 44 anos de mim aqui dentro desta casa. CDs, Canetas, Papéis, Caixas, Instrumentos, Cartas, Desenhos, Pinturas, Cavalos-Marinhos, dezenas deles...tudo que me adornava o entorno. Não sei onde caberão essas coisas queridas, num J.K ou num depósito. Justo ou impessoal. Onde caberei eu dentro desse vasto mundo ao qual ainda pertenço. Não sei. Sei que não é mais aqui dentro. Este ciclo encerra-se. Desaba sobre si mesmo. Deslizamento, soterrados estão meus sentimentos. Escombros enfeitados de laranja e verde. Ainda assim, são meus. Observo. Meço. Mas não há tristeza. Apenas uma imensa e longa constatação: a vida é pouca, a vida finda. Seja num quarto de hospital, seja na bela Santa Catarina, seja num apartamento na 24. Nunca foi tão convicta a minha filosofia: vive! Vive o dia de hoje: é tudo que temos.
Acordei com essa canção hoje, em meio aos escombros do que vivo. Mas a tristeza é menor. Sinto apenas aquela sensação de que é hora. É chegada a hora da partida. Já não há nada que eu possa fazer. A beleza que havia, a certeza, a vontade de reconstruir, tudo virou escombro. Como Santa Catarina, belíssima, única, que também está agora desmoronada sobre si mesma. Ainda dói contemplar a cena. Mas a dor diminui a cada dia e, a cada dia aumenta a força interior que começará um novo traçado, um novo ciclo. Talvez este seja o abandono necessário. A desistência lúcida sobre alguma coisa. Eu, que procuro nunca desistir, reconheço a necessidade de algumas desistências em nome de algum renascimento.
Me asseguro na fé. Que nunca me faltou na hora exata. Crio saídas dentro da minha cabeça que não pára. Ajeito os caminhos, recebo palavras boas que me dizem: vai! Segue teu destino: de ‘Caravela’, por Olívia Byington. Palavras de gente de cujas bocas não esperava que saíssem e saíram. Palavras de mãe? Agora? Vida louca, vida linda! Ela disse: vai! Vai cuidar de ti! E me contou sobre a mochila que ela diz carregar nas costas, na qual há tudo que ela tem. Mochila pequena, de acordo com ela. Porque nada se leva de verdade. Nada. “Apenas o sorriso que recebeu e o sorriso que causou”.
Não sei ainda quanto daqui levarei comigo. Tantos objetos queridos, histórias muitas de uma vida nem tão longa assim, mas de uma intensidade farta. 44 anos de mim aqui dentro desta casa. CDs, Canetas, Papéis, Caixas, Instrumentos, Cartas, Desenhos, Pinturas, Cavalos-Marinhos, dezenas deles...tudo que me adornava o entorno. Não sei onde caberão essas coisas queridas, num J.K ou num depósito. Justo ou impessoal. Onde caberei eu dentro desse vasto mundo ao qual ainda pertenço. Não sei. Sei que não é mais aqui dentro. Este ciclo encerra-se. Desaba sobre si mesmo. Deslizamento, soterrados estão meus sentimentos. Escombros enfeitados de laranja e verde. Ainda assim, são meus. Observo. Meço. Mas não há tristeza. Apenas uma imensa e longa constatação: a vida é pouca, a vida finda. Seja num quarto de hospital, seja na bela Santa Catarina, seja num apartamento na 24. Nunca foi tão convicta a minha filosofia: vive! Vive o dia de hoje: é tudo que temos.
NA. 27.11.08
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