Noite dessas na Comunidade, discutíamos sobre a palavra certa. A questão era: o que te encanta, o que te afasta. Foi unânime que a palavra encanta. Falar algo que toque, seduza, atraia, puxe, cause impacto é 100% eficaz. Quem não gosta de ouvir ou ler uma frase daquelas de tirar o fôlego, de causar espanto, de perder o rumo?
Uma grande amiga que não vejo tanto quanto gostaria costuma me “seqüestrar” daqui de casa. Ela mora perto. Quando a saudade bate, ou ela tem alguma música que sabe que vai me apaixonar, liga e diz: Neckiiiiinha, desce! Duas palavras. Só duas. Eu desço. Quando ela pára o carro, reduz para uma palavra só: entra! Eu entro. Minha Kiks, uma Fisioterapeuta Linda, Branca feito talco de nenê. A Curandeira.
Outra amiga, igualmente linda: Gisele, esta também faz um uso curioso das palavras. Quisera eu ter o poder de síntese que ela tem. Compõe muito e manda cada e-mail original! Destaco uma das frases dela: “você, futuro que passou, e eu vivendo de particípio” (outra hora falo sobre isso). Está na canção “E Eu”, no YouTube. Hoje cedo, ela, que havia me solicitado um trabalho de Layout, me mandou um e-mail que finalizava assim: “És refém da minha desordem total. Beijo e te amo demasiado”. Esta é Cantadeira!
Refém da minha desordem é tudo de bom! Porque nunca imaginamos que, uma vez desorganizados, possamos estar fazendo reféns. Claro! Como eu nunca pensei nisso antes!
Ontem, com Dalai, em mais uma troca das nossas, notei que ele já havia adotado a Reforma Ortográfica. Ele disse que sim. Eu me recuso a gostar disso. Terminantemente. Porque as palavras para mim são todas insubstituíveis. E tirar delas suas características únicas é um crime hediondo. Como assim, escrever freqüente sem trema? Tirar os dois pontinhos lindos que a caracterizam, inclusive, como se a seqüência dos pontinhos desse, justamente, a impressão de freqüência? Ah, não! Vejo palavras como cores de canetinhas - todas especiais, dispostas lado a lado. Todas únicas. Quanto mais, melhor! Quanto mais diferirem, mais tonalidades.
Este País tem três coisas que considero riquezas inigualáveis: a Música, a Língua e o Esporte! E ando muito chateada com essa mudança logo no tesouro que mais prezo: a nossa Língua Portuguesa: vasta, linda, poética, ritmada, desenhada, enfeitada com pontinhos, chapeuzinhos, acentos agudos, toda requintada! Língua de infinitas possibilidades, muito antes de virem com “O Segredo”.
Se eu pudesse voltar no tempo, não teria prestado Vestibular para Psicologia, mas para Letras! Assim, com certeza, teria cursado, em vez de desistido. Somar a Língua à melodia é uma experiência de tamanha complexidade e, ao mesmo tempo, de tão profundo divertimento! Todos deveriam experimentar, né, Gisele? Até porque, na nossa última experiência, nos divertimos demais! Éramos quatro seres não-pensantes naquele momento, tentando compor uma letra juntos.
É certo que a palavra certa encanta. Como o gesto errado afasta. E o silêncio também! Melhor um sim ou um não do que palavra nem uma. Viram? Não é perfeita a nossa Língua? Para que mexer no que é perfeito? Com tanta coisa para se aperfeiçoar aqui dentro! Às vezes a gente tem vontade de parar o carro na frente do Palácio e dizer gentil e incisivamente ao Luís Inácio: entra! e levar uma conversa séria, assim, que valha a pena ser tida. Não tem? Ah, tem! Ainda mais quando votamos para nos tornarmos reféns das desordens alheias.
Uma grande amiga que não vejo tanto quanto gostaria costuma me “seqüestrar” daqui de casa. Ela mora perto. Quando a saudade bate, ou ela tem alguma música que sabe que vai me apaixonar, liga e diz: Neckiiiiinha, desce! Duas palavras. Só duas. Eu desço. Quando ela pára o carro, reduz para uma palavra só: entra! Eu entro. Minha Kiks, uma Fisioterapeuta Linda, Branca feito talco de nenê. A Curandeira.
Outra amiga, igualmente linda: Gisele, esta também faz um uso curioso das palavras. Quisera eu ter o poder de síntese que ela tem. Compõe muito e manda cada e-mail original! Destaco uma das frases dela: “você, futuro que passou, e eu vivendo de particípio” (outra hora falo sobre isso). Está na canção “E Eu”, no YouTube. Hoje cedo, ela, que havia me solicitado um trabalho de Layout, me mandou um e-mail que finalizava assim: “És refém da minha desordem total. Beijo e te amo demasiado”. Esta é Cantadeira!
Refém da minha desordem é tudo de bom! Porque nunca imaginamos que, uma vez desorganizados, possamos estar fazendo reféns. Claro! Como eu nunca pensei nisso antes!
Ontem, com Dalai, em mais uma troca das nossas, notei que ele já havia adotado a Reforma Ortográfica. Ele disse que sim. Eu me recuso a gostar disso. Terminantemente. Porque as palavras para mim são todas insubstituíveis. E tirar delas suas características únicas é um crime hediondo. Como assim, escrever freqüente sem trema? Tirar os dois pontinhos lindos que a caracterizam, inclusive, como se a seqüência dos pontinhos desse, justamente, a impressão de freqüência? Ah, não! Vejo palavras como cores de canetinhas - todas especiais, dispostas lado a lado. Todas únicas. Quanto mais, melhor! Quanto mais diferirem, mais tonalidades.
Este País tem três coisas que considero riquezas inigualáveis: a Música, a Língua e o Esporte! E ando muito chateada com essa mudança logo no tesouro que mais prezo: a nossa Língua Portuguesa: vasta, linda, poética, ritmada, desenhada, enfeitada com pontinhos, chapeuzinhos, acentos agudos, toda requintada! Língua de infinitas possibilidades, muito antes de virem com “O Segredo”.
Se eu pudesse voltar no tempo, não teria prestado Vestibular para Psicologia, mas para Letras! Assim, com certeza, teria cursado, em vez de desistido. Somar a Língua à melodia é uma experiência de tamanha complexidade e, ao mesmo tempo, de tão profundo divertimento! Todos deveriam experimentar, né, Gisele? Até porque, na nossa última experiência, nos divertimos demais! Éramos quatro seres não-pensantes naquele momento, tentando compor uma letra juntos.
É certo que a palavra certa encanta. Como o gesto errado afasta. E o silêncio também! Melhor um sim ou um não do que palavra nem uma. Viram? Não é perfeita a nossa Língua? Para que mexer no que é perfeito? Com tanta coisa para se aperfeiçoar aqui dentro! Às vezes a gente tem vontade de parar o carro na frente do Palácio e dizer gentil e incisivamente ao Luís Inácio: entra! e levar uma conversa séria, assim, que valha a pena ser tida. Não tem? Ah, tem! Ainda mais quando votamos para nos tornarmos reféns das desordens alheias.
Necka Ayala - 07.11.08, 15h24
Sis, perfeito!! Amo.
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