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11 de nov. de 2008

Sem Nome

Comeste do sumo das coisas que sei.
Quando entendi que já estavas em mim, te ofertei o todo que tinha. Sorveste a essência das coisas que sinto. Quando notei que já pousavas perto de mim, te ofereci do todo que sorvia eu. Bebeste do vinho das coisas que sou. Quando te vi embriagada, tomada de susto e sem rumo, te devolvi ao solo, caso quisesses voltar para onde estavas.
Foste e voltaste três vezes.
Leste tudo o que saiu de mim enquanto vivia o que ainda seria escrito. Estavas ali, atenta, na curiosidade pelo novo, pelo não visto e isso, ainda te tenta. Quando pressenti que interpretarias a ti e saberias mais sobre o que és, te dei o riso para quebrar a densidade do momento que era teu contigo. E nisso, estava a tua cura; às tuas mãos, ofertada.
Viste tudo que mostro, ouviste tudo que canto, disseste tudo que querias; tocaste o todo do que podias ter. Te convidei a adentrar à intensidade que querias tanto! A ter com ela. Até a sós, se assim o preferisses. Te fiz testemunhar a bênção e te mostrei como acioná-la, até de longe, se assim o precisasses. Provaste da felicidade possível, sã, palpável, nua a que tens merecimento. Fui o que pude ser para contigo, quando estava ali, contigo, enquanto toda tua.
Agora mastigo os medos que me deste. Tento digerir com calma cada um. Sorvo essa ausência, esse silêncio tenso ao qual me conduziste. E te respeito. Bebo do gosto infinito que deixaste à minha boca, enquanto dure. Apenas não me embriago mais, porque não estás mais refletida do espelho da taça. Li tudo que te diz respeito, sobre ti, e te entendo mais do que te disse. Assisti às tuas faces todas nuas, enquanto se trocavam, e eu quis a todas. Quando me chamaste, fui. Quando me deixaste, te deixei ir. Todas as vezes.
O nome do que vivemos, não sei. E não importa. Só tua janela aberta enquanto esteve, e a minha porta, nas três vezes em que tornei a abrir. Espero que a tua escolha te faça de fato feliz, mais feliz a cada dia que passe, a cada dia que finde. E que possas levar contigo, apreendida pela alma que tens, a imagem tua mais encantada - ela existe e está aí. Virá à tona, sempre, sempre que deixares, sempre que quiseres. Não à superfície, onde deveria flutuar eternamente, mas às profundezas onde estive, onde estiveste, onde fomos essa coisa sem nome, sem tempo, sem silêncio e sem liberdade.

NA.
17h31,
11.11.08
Para PL.

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