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15 de dez. de 2008

Terrena - Elemento Terra

Cabe a terra dar ao mundo todos os dias alguma coisa. Um fruto, uma flor nova. Produzir em suas entranhas a vida semeada, abrigar a semente caída, alimentá-la. Enraizar com firmeza e segurança às árvores que sobem querendo tocar o céu azul enquanto dançam sobre o vento sua dança de todos os verdes. É da terra a criação contínua, incessante, farta. De minutos em minutos ela entrega algo de novo ao que passeia sobre ela.
Dentro, às profundezas, resguarda segredos e sabedorias ancestrais. Ilimitadas. Porque só à terra compete saber da formação das coisas, da junção de elementos em si mesma, da vida fecundada quando os encontros se dão. Encontros de grãos com nutrientes que se fundem, se sentem e germinam, trans-formando-se. É da terra tanto o conhecimento imutável, quanto o movimento necessário ao crescimento e à renovação. Revolta, ela balança as estruturas do que passeia sobre ela. Mas só balança aquilo que tiver de vir ao solo. E seu movimento preciso, ainda assim, refaz da natureza sua matéria.
É na terra que irão se assentar tanto castelos quanto estradas. E é dela que irá sair tanto o jardim quanto a pedra. Ela recebe as folhas caídas, as águas derramadas, e deixa que se mudem sobre sua pele pedaços que cabe ao vento levar. Assim, também, se dá ao exercício do fogo e aos vulcões. Um que lhe fascina, outro que lhe alivia às pressões insuportáveis.
Da terra, que me representa, faço morada e abrigo, refúgio e símbolo, signo, temperamento. Me guio por ela. Tento que tenham as minhas poucas respostas, os meus poucos frutos, o pouco que dou ao mundo todos os dias, algum benefício. E ofereço de mim tudo que sou e tenho. Que possam as minhas linhas se parecer com suas estradas. Que saibam as minhas certezas, servir de raízes ou moradas. Que guardem em segurança as minhas profundezas o pouco que sei, como a terra guarda as sementes. E que elas queiram germinar sempre mais férteis. Que eu seja digna de merecer do criador essa leve semelhança, que me torna, apenas, uma parte infinitamente pequena no universo de toda criação.

Necka Ayala, 15.12.08 – 14h57
Touro, Virgem e Capricórnio.

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Leio.