Ele convida. Como viver às vezes oferta aos nossos lábios o sabor de uma taça, uma oferenda. Um gole ou uma embriaguez inteira. Ele chama. Repete uma canção sem nome que atrai a atenção que tenta inutilmente decifrá-la. Levanta as próprias partes em ondas que tocam as beiras ásperas de areias brancas. Ele se exibe em força e vastidão. E se oferece, todo azulado, cheio de tons diversos e de sombras. Espelha o céu que lhe encobre tão vasto quanto ou mais, já que é, ao mesmo tempo o próprio mar e possui o reflexo do céu acima dele. Ele convida porque é belo demais para ser só. E todas as vidas que nele residem, ainda assim, são poucas para tudo que oferece. Mesmo com baleias e cavalos-marinhos, com arraias e algas, ainda assim, deseja que flutuem sobre ele ou lhe adentrem, os corpos fantásticos das sereias, os corpos bronzeados das mulheres que perpassam às beiras e os corpos dos homens que a nada temem. Ele convida.
E seu chamado é irresistível! É de tamanha beleza o estender-se dele sobre as coisas, de tanta leveza a linha que desenha num horizonte impossível, que é inevitável entrar. A quem aceita seu convite, ele ainda guarda uma surpresa única: o silêncio indescritível que há abaixo da superfície. Ali, onde ele mostra que desdenha da lei da gravidade e nos retira o peso, a dimensão de nós mesmos, nossos contornos. Nos faz livres ao permitir que o movimento dos braços é que nos faça “andar”, sair do lugar onde estamos. Inverte, brinca, nos puxa em correntes submersas e nos devolve à tona sempre que quisermos. Deixa que vislumbremos parte de seus infinitos mistérios e aventuras. Como se fosse outro mundo, aguado, de cavernas cheias dele mesmo, de flores salgadas e cores misturadas em aquarelas sem tintas. De abismos preenchidos e formas insuspeitas.
Ele convida. E por mais tempo que eu me demore a mirá-lo, sabendo dos perigos que ele também contém e não esconde, é impossível não ceder à tamanha beleza. E ela é poderosa, demais! Ainda não sei em que praia acontecerá meu encontro definitivo com o mar. Sei que ele será. Sei que aceitarei seu convite às águas, outras, das quais não se bebe - se flutua sobre. Onde do meu corpo será removido qualquer peso de qualquer procedência e passado. No mar, só se tem duas escolhas: ou se é plenamente feliz, ou se adentra à morte. No mar, com o mar, não é possível ser infeliz. Ele não deixa. Pois é feito de beleza e ela é, em si mesma, uma espécie de felicidade colorida e lúdica, uma oferenda.
Necka Ayala. 15.12.2008 – 14h24 Peixes, Câncer e Escorpião.
E seu chamado é irresistível! É de tamanha beleza o estender-se dele sobre as coisas, de tanta leveza a linha que desenha num horizonte impossível, que é inevitável entrar. A quem aceita seu convite, ele ainda guarda uma surpresa única: o silêncio indescritível que há abaixo da superfície. Ali, onde ele mostra que desdenha da lei da gravidade e nos retira o peso, a dimensão de nós mesmos, nossos contornos. Nos faz livres ao permitir que o movimento dos braços é que nos faça “andar”, sair do lugar onde estamos. Inverte, brinca, nos puxa em correntes submersas e nos devolve à tona sempre que quisermos. Deixa que vislumbremos parte de seus infinitos mistérios e aventuras. Como se fosse outro mundo, aguado, de cavernas cheias dele mesmo, de flores salgadas e cores misturadas em aquarelas sem tintas. De abismos preenchidos e formas insuspeitas.
Ele convida. E por mais tempo que eu me demore a mirá-lo, sabendo dos perigos que ele também contém e não esconde, é impossível não ceder à tamanha beleza. E ela é poderosa, demais! Ainda não sei em que praia acontecerá meu encontro definitivo com o mar. Sei que ele será. Sei que aceitarei seu convite às águas, outras, das quais não se bebe - se flutua sobre. Onde do meu corpo será removido qualquer peso de qualquer procedência e passado. No mar, só se tem duas escolhas: ou se é plenamente feliz, ou se adentra à morte. No mar, com o mar, não é possível ser infeliz. Ele não deixa. Pois é feito de beleza e ela é, em si mesma, uma espécie de felicidade colorida e lúdica, uma oferenda.
Necka Ayala. 15.12.2008 – 14h24 Peixes, Câncer e Escorpião.
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