Por intermédio de terceiros. Foi assim que se viram. Um troço enviado a muitos que chegou ali. Dali veio de volta um primeiro contato. Adicionado. Um convite feito. Aceito. Numa velocidade impressionante, sem maiores explicações, veio. E já veio agindo, fazendo, criando, sendo parte da troca que há muito já se dava ali com outros. Era um disparo, uma resposta, novo disparo, nova resposta. Duas criatividades, dois rompantes, duas cabeças pensantes, duas feminilidades sérias, maduras, experientes. Duas luzes distintas, cada uma com seu facho, num piscar eventual, num disparo quase cósmico. Dois vaga-lumes. No começo era só isso. Aos poucos foi-se percebendo qualquer coisa por dentro das palavras. Que deixava um calor qualquer entre elas, uma sensação de algum movimento, ainda não nítido. Uma vontade...mas que vontade seria? Era vontade de mais, mas não havia pressa alguma. Nas mesmas palavras se podia ver resíduos de presenças outras, recentes, que não haviam ido por completo dali. Era vontade de mais, mas não havia posse alguma. Era solto. E, por ser solto, justo por tanto, causava vontade de voltar. Uma curiosidade recém adquirida? Sim. Com certeza. Duas luzes diversas, cada uma com sua voltagem. E o que uma ligava, a outra ascendia. Estavam sem maiores pretensões. Não estavam à procura de nada. Só que havia aquele calor reincidente quando estavam ali.
Não se encontravam num mesmo instante no início. Apenas deixavam disparos e respostas para serem encontrados noutro momento. Até que coincidiu. Saíram dali para um espaço reservado. Era uma tarde de sexta-feira. E se antes eram feito lanternas focando as coisas em torno, agora focavam luz na outra luz. Permitiram. Deixaram que assim fosse, luzindo soltas ainda. E o calor havia vindo junto. Não pertencia ao espaço inaugural, mas a elas. Agora o discurso era outro, sem o rebuscar das palavras, mas mantendo a delicadeza e a alusão à arte. De repente veio. Do nada. Por intermédio delas mesmas, uma espécie de raio. Como se luz e luz causasse qualquer coisa nova saída de si mesma. Inesperada. Sentiram, se deixaram ficar assim. Assim mesmo e, assim, não mais as mesmas. Sempre haviam sido luzes, apenas não estavam, ainda, permanentemente acesas.
Mais dois momentos coincidiram dias depois. E o calor seguia ali. O acender das duas luzes deixara-o posto dentro. Levado além, horas adiante, indo embora junto, sentido e presenciado na matéria aquecida. Ainda soltas, as duas iam, luziam, assim ‘ao sabor’. E já não eram mais vaga-lumes, eram faróis guiando o caminho de casa, dando a impressão de que o calor estaria lá, esperando no quarto quando se deitassem ainda acesas. Por intermédio delas mesmas, cada uma com sua voltagem, se alimentavam de mais. Acrescidas uma da outra. Como acontece quando é meio da tarde ensolarado e um olhar pousa noutro, causando mais, ainda mais lume, ainda mais estrelas sem céu dentro da noite futura que se aproxima.
Necka Ayala 17.12.08
Não se encontravam num mesmo instante no início. Apenas deixavam disparos e respostas para serem encontrados noutro momento. Até que coincidiu. Saíram dali para um espaço reservado. Era uma tarde de sexta-feira. E se antes eram feito lanternas focando as coisas em torno, agora focavam luz na outra luz. Permitiram. Deixaram que assim fosse, luzindo soltas ainda. E o calor havia vindo junto. Não pertencia ao espaço inaugural, mas a elas. Agora o discurso era outro, sem o rebuscar das palavras, mas mantendo a delicadeza e a alusão à arte. De repente veio. Do nada. Por intermédio delas mesmas, uma espécie de raio. Como se luz e luz causasse qualquer coisa nova saída de si mesma. Inesperada. Sentiram, se deixaram ficar assim. Assim mesmo e, assim, não mais as mesmas. Sempre haviam sido luzes, apenas não estavam, ainda, permanentemente acesas.
Mais dois momentos coincidiram dias depois. E o calor seguia ali. O acender das duas luzes deixara-o posto dentro. Levado além, horas adiante, indo embora junto, sentido e presenciado na matéria aquecida. Ainda soltas, as duas iam, luziam, assim ‘ao sabor’. E já não eram mais vaga-lumes, eram faróis guiando o caminho de casa, dando a impressão de que o calor estaria lá, esperando no quarto quando se deitassem ainda acesas. Por intermédio delas mesmas, cada uma com sua voltagem, se alimentavam de mais. Acrescidas uma da outra. Como acontece quando é meio da tarde ensolarado e um olhar pousa noutro, causando mais, ainda mais lume, ainda mais estrelas sem céu dentro da noite futura que se aproxima.
Necka Ayala 17.12.08
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