A chuva não foi criada para os guarda-chuvas. E sim para adentrar à terra. Para penetrá-la e causar vida. Para hidratar a folha, o fruto, a flor recém nascida. Para avolumar os rios e aquecer as águas do mar a quem se banha sem medo. A chuva não foi feita para sentir medo, mas liberdade. Para as cabeças que se queimam do sol a pino, para que se refresquem e se sintam de novo jovens, como quem brincasse de novo livre num quintal qualquer de casa, junto aos irmãos, os pés descalços, nus sobre a grama recém podada.
A chuva não foi dada por acaso. E sim para fazer parte do que se tem a sentir na vida. A alegria, o encantamento, a nostalgia, o encontro pleno, a euforia, o arrebatamento, a luz dos raios, o entendimento, a saudade boa, o envolvimento. A chuva desce para deixar marcas nos vidros, como se dissesse que não deveria haver vidros nas janelas. Como se mostrasse que se deve ver a tudo o mais nitidamente possível e livre, como quem pula a janela pra fugir de casa, adolescendo as primeiras vontades inevitáveis.
A chuva não foi inventada para o acaso. Ela incide. Acontece. E é quando o calor é tamanho, que evapora as águas da superfície, preenchendo nuvem. É um processo em movimento. Vem de dentro. De dentro dos mares, riachos, quedas-d’água e cascatas, cachoeiras, sangas de água doce. Chuva composta por partes de água perfazendo o todo. Num processo em movimento, dentro. Criada para tocar a pele nua que segue, ruas afora, quaisquer ruas, mesmo as minhas. Mas é certo que não foi para as sombrinhas.
E quando há chuva, há inquietude. Até que se soltem as amarras e se possa sair para tomá-la no rosto, na pele, sobre tudo. Feita para ser aproveitada! Sentida, derramada, bebida, transbordada sobretudo. Chuva que reanima, que resgata da melancolia de ser demais adulta a vida. Solta, gota de chuva sobre o todo é aguaceira. Penetra a terra, água sem fronteira. Umedece o vento, chuva passageira. Cai sobre o oceano, enlouquece os peixes, águas misturadas, sendo ali as duas, duas namoradas. Chuva prazenteira. Que não cai pelo acaso, não vem por acaso: vem porque tem de vir, de vez em quando, como uma lembrança ou uma vontade quase insuportável de...
Necka Ayala. 17.12.08
A chuva não foi dada por acaso. E sim para fazer parte do que se tem a sentir na vida. A alegria, o encantamento, a nostalgia, o encontro pleno, a euforia, o arrebatamento, a luz dos raios, o entendimento, a saudade boa, o envolvimento. A chuva desce para deixar marcas nos vidros, como se dissesse que não deveria haver vidros nas janelas. Como se mostrasse que se deve ver a tudo o mais nitidamente possível e livre, como quem pula a janela pra fugir de casa, adolescendo as primeiras vontades inevitáveis.
A chuva não foi inventada para o acaso. Ela incide. Acontece. E é quando o calor é tamanho, que evapora as águas da superfície, preenchendo nuvem. É um processo em movimento. Vem de dentro. De dentro dos mares, riachos, quedas-d’água e cascatas, cachoeiras, sangas de água doce. Chuva composta por partes de água perfazendo o todo. Num processo em movimento, dentro. Criada para tocar a pele nua que segue, ruas afora, quaisquer ruas, mesmo as minhas. Mas é certo que não foi para as sombrinhas.
E quando há chuva, há inquietude. Até que se soltem as amarras e se possa sair para tomá-la no rosto, na pele, sobre tudo. Feita para ser aproveitada! Sentida, derramada, bebida, transbordada sobretudo. Chuva que reanima, que resgata da melancolia de ser demais adulta a vida. Solta, gota de chuva sobre o todo é aguaceira. Penetra a terra, água sem fronteira. Umedece o vento, chuva passageira. Cai sobre o oceano, enlouquece os peixes, águas misturadas, sendo ali as duas, duas namoradas. Chuva prazenteira. Que não cai pelo acaso, não vem por acaso: vem porque tem de vir, de vez em quando, como uma lembrança ou uma vontade quase insuportável de...
Necka Ayala. 17.12.08
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