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20 de jan. de 2009

Não renuncio.

Também é. E é verdade. Nua e crua, também é. Um mosaico, uma vastidão de cores, de pedaços, de rostos que me são caros, todos únicos cada um com seu nome, sua história, sua vinda, sua chegada, seu achado. Não posso negar a nenhum. Todos inteiros, fazem parte. Todos são partes do que sou inteira. E eu não consigo aceitar que já não façam parte de mim. Também és. Uma parte mais nova, recente, bem-vinda. Que achou dentro de mim um sossego qualquer, uma esperança vaga, uma lembrança boa de qualquer coisa que ainda vem. E vem. Veio ficando sólida a tua presença. Teu afago liberto, tua palavra de consolo, de luz de velas. Quando me sabes triste, quando me vês doente e corres depressa, apurando um gesto novo de conforto, de carícia dada à alma, tua voz arrastada repetindo...”linda, não chora assim”. Também é tua uma parte dessa lágrima solta em meio a tantas no meio dessa tarde. Porque parte de mim é habitada pelo teu nome, um canto de mim é teu, uma canção composta feito tempo verbal. E eu queria que fosse tudo menos complexo nos caminhos tortuosos entre a cabeça e o peito. Duas partes a se desentenderem vida afora, habitadas num mesmo corpo comum a todos nós. Se nossas partes não se entendem, que se harmonizem. Me entende! Fica e me entende! Não parte. O que eu queria não mudou. Nada do que eu queria mudou. É que este meu entorno novo me fascina e me assusta, me arrebata e derruba, me enxerga e não vê. Não vê quanto acontece dentro neste instante. Só existe, um passar de olhos sobre essa casca, essa aparência inusitada. Dentro, o que reside é invisível. Sai, quando sem mais nem menos meu olho fecha e a voz se abre. É dali que saio. De onde ninguém foi me buscar a não ser tu. Só tu tens conhecimento do caminho às profundezas de onde vêm todas as palavras. Neste dia em que o céu derrama lágrimas também sobre São Paulo, de todos, só tu soubeste, só tu vieste, só tu estiveste perto. Também és. Também sou. Tudo que nos diga respeito é plural. E eu sinto por não teres me achado antes, meses atrás, quando ainda havia mais espaço, mais de mim a ocupares. Quem sabe ainda terás...a vida é linda e é louca. E Deus escreve poemas sobre as linhas retas que nós, sobre a terra curva, olhamos tortamente.

Necka Ayala. 20.01.09

2 comentários:

  1. linda!
    não chore ainda não.... vc tem o violão...
    eu, nem isso...
    estou aqui!

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Leio.