Qual das duas coisas? Foi desvario teu a vinda ou a partida? Quando vieste foi empunhando um arco, pronta ao disparo, buscavas alvo de força e luz. Vieste pronta, firme, certa do que querias, feito uma Deusa, uma Diana, querendo pela frente o vasto do caminho novo, as coisas esquecidas de ti, entradas e bandeiras. Vinhas atenta aos detalhes, percebendo sinais, mantendo o verbo posto à tua língua, imperativo. Vinhas de pronto, trazendo coisas a contar, histórias do teu dia, coincidências nas manhãs, sonhos que havias tido às noites, fartos de nós – com cânticos que te despertavam e uma carícia leve sobre teus cabelos. Contavas sonhos como quem canta vitórias. Teu sorriso lindo aberto em chamas de conquista. Feliz, emocionada com aquilo que não sabias sobre ti. Tudo em ti brilhava naquele momento. Eu assistia daqui a isso com a sensação de que todos os deuses entravam em acordo quando tu acordavas...diziam: abre teus olhos, a vida te chama, vai, brilha! Encanta! Descortina de ti a face velada pela insistência do que é de ti, alheio à tua vontade. Vinhas eufórica dizer das coisas que havias visto: janelas e árvores, cores minhas encontradas por acaso em passeios teus contigo mesma. E tudo te parecia ser bênção, consentimento do céu de Deus. A coisa mais linda que já vivi, dizias...terá sido desvario tua vinda, tua certeza sobre isso? Terá sido devaneio teu querer pela intensidade? Terá?
Ou terá sido desvario tua partida de repente. Tua desistência, tuas armas postas ao chão, entregando os pontos, feito desertora? Alvejaste o próprio Sol com tua flecha certeira, ganhaste o mundo Todo, foste para o Sol a Lua Arqueira. E depois disso o nada do instante seguinte. Sem luares, sem sonhos, sem arco-íris. Achaste o Destino e não seguiste. Tiveste toda Chuva e não abriste a porta para banhares teu corpo branco às águas dela. Plantaste o amor das tuas mãos jardineiras e não colheste flor. Diante do abismo que era teu, todo teu, todo dentro dos teus olhos, recuaste ao último segundo daquela tarde às quatro horas. Duas vezes à mesma hora. Me levaste a ele, me disseste: vai! Entra, alça vôo, não sei de nada mas quero a isso que não sei. Fui. Apenas fui. Joguei-me a ele, ao abismo dos teus olhos envidraçados. E fui feliz. Dali recuaste. Terá sido este teu desvario? Tua partida? Tua vinda?
Qual das duas coisas? Qual delas? O que te faz feliz agora? Lembrar da vinda, recordar da desistência? O que te move agora? Vôo ou pouso seguro? Hoje, agora, nesta noite quente às avessas, enquanto sigo procurando as respostas que segredas, enquanto de dentro do teu, outros abismos me engolem, e outros meses se desdobram, como se sente teu coração de guerras medievais? Condecorado?
NA. 05.01.2009.
Ou terá sido desvario tua partida de repente. Tua desistência, tuas armas postas ao chão, entregando os pontos, feito desertora? Alvejaste o próprio Sol com tua flecha certeira, ganhaste o mundo Todo, foste para o Sol a Lua Arqueira. E depois disso o nada do instante seguinte. Sem luares, sem sonhos, sem arco-íris. Achaste o Destino e não seguiste. Tiveste toda Chuva e não abriste a porta para banhares teu corpo branco às águas dela. Plantaste o amor das tuas mãos jardineiras e não colheste flor. Diante do abismo que era teu, todo teu, todo dentro dos teus olhos, recuaste ao último segundo daquela tarde às quatro horas. Duas vezes à mesma hora. Me levaste a ele, me disseste: vai! Entra, alça vôo, não sei de nada mas quero a isso que não sei. Fui. Apenas fui. Joguei-me a ele, ao abismo dos teus olhos envidraçados. E fui feliz. Dali recuaste. Terá sido este teu desvario? Tua partida? Tua vinda?
Qual das duas coisas? Qual delas? O que te faz feliz agora? Lembrar da vinda, recordar da desistência? O que te move agora? Vôo ou pouso seguro? Hoje, agora, nesta noite quente às avessas, enquanto sigo procurando as respostas que segredas, enquanto de dentro do teu, outros abismos me engolem, e outros meses se desdobram, como se sente teu coração de guerras medievais? Condecorado?
NA. 05.01.2009.
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