Recém abri asas pela primeira vez. Faz pouco. Ainda sem leveza, meu vôo se ensaia, com calma, medindo o espaço e o tempo, tentando acertar a decolagem. Ainda infantis, essas asas não conhecem tudo que podem, não sabem tudo que querem, não vislumbram todos os rumos, os traçados, os destinos, as pistas. São penas recém-paridas, hesitantes, desconfortáveis em seu novo ambiente, nesse corpo já mais velho do que elas, bem mais. Não nasci alada. Vim ao mundo para a terra, para os passos planejados, para as estradas, vales, montanhas, terrenos sólidos, mesmo desertos. Sobre passos minhas pernas sabem mais. Sobre vôos, nada sei. Sei que posso, sei que vou em breve. Sei que será logo, antes do previsto, mais ainda do que pretendia. E de lá, para outros lugares ainda mais distantes. É diferente falar sobre vôo e voar. Como também o é, falar sobre querer e querer. É isso! Era isso que queria dizer nesta noite. Estava tentando achar a forma de descrever essa sutil diferença. Falei muito sobre vôos e só fiz um, impetuosamente, assim, sem ter pensado ou medido. Agora é diferente. Penso, meço. Falei muito sobre querer. E o querer agora, se traduz no vento necessário que sustente as minhas asas hesitantes. É preciso querer muito, mais que tudo, mais urgentemente que qualquer outra coisa. E eu não queria voar pela necessidade da fuga, mas pelo encanto do desafio e de sua respectiva conquista. Sim, ainda temo. Porque meus pés amam a terra abaixo deles; meus olhos são loucos pela luz da lua que vai e reaparece e meu coração ainda reflete os raios de um sol anos-luz daqui. Mas o momento é este, à beira de um abismo, diante do vôo, diante do todo do que não conheço. E o que não conheço é isso, esse somente imaginado corpo sobre o qual sei tão menos. Uma outra parte de mim, uma quarta que se forja de repente e que fala sobre asas, ventos, nuvens, céus e destinos. Sobre mirar o chão seguro lá de cima, estando mais perto daquela lua e daquele sol, a um mesmo tempo. E eu não queria estar lá em nome de uma deserção, mas de um desbravamento. Não queria ir por outro motivo que não fosse poder dizer de mim, mais tarde, apaixonada, que voei em nome de um amor-são e inteiro pela própria vida.
Necka Ayala. 12.01.2009 – Aos 22 anos de Chão Debaixo dos pés.
Necka Ayala. 12.01.2009 – Aos 22 anos de Chão Debaixo dos pés.
Necka...Como entendo!Vou copiar esse texto todinho e guardar...Posso?
ResponderExcluirTemo tb. E minhas asas tb estão hesitantes..O Vôo e o querer. Disse tudo.
Eu acho que vou ficar no querer. O medo é muito maior.
Um beijo
voa... o medo é apenas o institinto primitivo de auto defesa inicial... mas tem o vento no rosto que te trará sensação de liberdade... esse mesmo vento que sustentará teu vôo, que te trará vertigem, te levará mais longe! e se for o caso, te trará de volta para a mesma beira de abismo que você corajosamente se lançou, para que possa sentir a Terra firme sob teus pés cansados... que cresca tuas asas, teus sonhos, teu círculo de amigos e de trocas...não tema! tuas asas, novas estão crescendo, nova plumagem... voa,meu anjo... ganha o céu... ganha o mundo!!! não tema o desconhecido... um novo mundo novo e lindo de possibilidades se abre na tua frente para que vcê possa se certificar do quanto é importante as vezes na vida, a gente se jogar... voa, anjo, voa...
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