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10 de fev. de 2009

7 (ret.off)

Eu tinha antes o vínculo, a proximidade, o telefonema diário logo pelas manhãs. Tinha a tua voz serena, mansa. E teu abraço pontual de ‘vai ficar tudo bem’. Tinha Tua cumplicidade, tua atitude firme, tuas verdades estampadas diante de mim. E as deixavas ali, para que eu as visse, as digerisse, enquanto esperavas ao lado para qualquer eventualidade, sempre a postos. Eu tinha as horas das tuas noites sozinhas, e tinha a porta aberta caso quisesse entrar. Tinha tua liberdade, teus aviões, teus muitos destinos. Teus convites, tuas propostas, teus planos pro futuro que sempre me incluíram, quando eu ainda era o que era. Não sabíamos que futuro seria. Este, que assistimos acontecendo agora, de olhos mais abertos do que nunca ao que nunca tínhamos visto. E outra paisagem. Uma nova fotografia. Um outro dia que amanhece quando me acordas, cabelos molhados sobre a minha cara, sorriso de bom dia e um céu sempre insuspeito nos esperando ali...logo ali...alguns passos adiante, rua afora... Agora tenho um elo, uma intimidade e muitos telefonemas ao longo dos dias. A tua voz sussurrada, teus abraços de repente de ‘vem...’; tenho tua comunhão comigo, tua atitude ousada e as minhas verdades espalhadas pela casa. Agora me vês. Tenho as tuas noites inteiras e a porta que se fecha quando chegas, que sempre esquecemos de trancar. E tu tens tudo que me diga respeito, que seja real sobre mim. Não são 7 mil dias infindos...mas são 7 dias no todo do que sou e do que és, infinitos...como esse desejo que não passa, insaciável a repetir-se por horas a fio...

Necka Ayala. 06.02.09

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