Enquanto coisas vieram trazidas pela palavra intensidade, outras me surpreenderam pelo seu próximo-oposto, a leveza. E ela pode ser intensa. Leveza na liberdade plena que nem foi preciso pedir que viesse e já estava. Leveza na qualidade dos gestos, na delicadeza deles, impressa em cada movimento largado, como se até os passos mais pontuais, pudessem ser dados sem comprometimento com o tempo. Leveza também na aceitação do novo, sorrindo para a vinda dele como se fosse um presente certamente feliz. Eu não sabia que o convívio mais leve, pudesse ser tão intenso. Amadurecer, segue sendo, na minha concepção, algo que trata de desconstruir conceitos pré-estabelecidos. O que eu achava ontem, hoje se acresce de mais um pouco. Muda, se altera, enquanto o exercício de viver, agrega outros valores a cada coisa. Mas para tanto, é preciso mesmo dizer sim, viver de fato, arcar com. Escolhas precisam ser feitas e temos direitos tanto quanto temos merecimentos. A leveza que experimento agora, vem de um sentimento que não havia sido percebido, embora já estivesse ali, semeado, pronto a germinar quando eu me ocupasse de regá-lo. Reguei. Floriu. Assisto ao crescimento dele, diariamente, cada dia mais lindo, uma folha a mais, uma mais verde que ontem. Leve, dançando ao vento. De mim, só tive de acertar destinos, traçados de riscos sob o céu azul. Sair de dentro de uma grande tempestade, ficar longe de uma série interminável de sintomas de doenças não-minhas e tratar de zelar pela nitidez das coisas dentro de mim. Não digo que seja fácil optar, abrir portas e sair. Não é, nem sempre. Mas é preciso que de nós, nós tenhamos todas as certezas abertas, claras. É preciso sentir mais intensamente o que move o pulsar do peito, e ouvir menos o que grita, em contrário muitas vezes, nossa razão. Porque quando optamos por ouvir a razão e ela consiste no contrário do que queremos, o que vem é um sentimento de descontentar-se de novo, de novo. Usar a razão, é quase sempre ter de arcar com um coração descontente que pesa seu descontentamento. Usar o coração, ao inverso disso, promove um bem-estar tão leve, que nenhuma razão pesa, interfere ou ousa mexer com quem está ali, merecendo e tendo aquela satisfação-mor. Basta tirar algo do coração, negá-lo, para que o todo esmoreça. Mas tirar da razão um tanto do que ela quer, é pura leveza...não é? Ah se é!
Ouça: God rests in reason – Jason Mraz. Ou leia Gibran…
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Leio.