Não estava previsto. E isso é a mais pura verdade. Sabes, porque conheces aos dois lados dessa história-ainda-menina. Uma recém-nascida, longe daqui, dos teus domínios. Não foi projetada, nem querida. Apenas veio como vem à tona aquilo que às profundezas se guarda, de repente. Veio como dádiva vem, depois de merecimentos que nem sabemos já termos conquistado. Como milagre testemunhado por descrentes. Apenas foi assim. Num meio de madrugada, num lugar que não seria o ideal, numa cena que não seria a perfeita e foi. Foi assim, sem preparação, sem cerimônia, sem palavras. Mais imantação que desejo, mais correnteza que braçada mar adentro e foi claro. A única coisa que, se anunciou, o fez de muito leve, foi uma borboleta cor-de-laranja, insistindo na janela aberta contra o cinza da cidade. Talvez o bater de asas tenha gerado brisa, tenha arejado o peito, tenha criado o instante. Veio, como vem à flor da pele, toda carícia evitada, levantando pêlos e pronunciando silenciosamente, sim...Naquele momento, se havia razão ela adormecera cansada de tanto pensar no futuro, no rumo e na conseqüência. Não estava dito nas cartas recém lidas sobre a mesa de andar de baixo. Nem estava escrito nas linhas do destino – não cheguei a ler a palma daquela mão. Senti. Apenas a senti sobre a minha, num encontro como outro que se dera meses atrás num outro instante que até hoje nem posso afirmar que se deu. Este, teve estrada à frente e a percorreu. Foi indo...conhecendo sem conhecer, tateando sem saber se era assim que se tateava ao desconhecido. Sentidos, todos eles, era só isso que tínhamos. E saudade do que podíamos ser e não éramos há muito, muito tempo. Amadas.
Necka Ayala. 10.02.09
Meu amor por ti, já sabido antes mesmo da borboleta cor-de-laranja, se entregou ao toque suave das tuas mãos naquela tarde cinza, naquela noite clara. Que sigamos assim, meu amor, leves e amadas.
ResponderExcluirTe amo. Beijo