As respostas não dadas ficam à deriva,
Feito naus, embarcações sem destino,
Entregues ao encontro inesperado de quem as busca,
De quem se arrisca a flutuar sobre as águas.
Os beijos que não demos, ficam à espera e à deriva.
Feito caos sobre os lábios, sem destinatários,
Entregues à lembrança mais cara de quem os teve, recentes.
Mas não são demônios os que quiseram nos possuir de paixão:
São magos. E vieram para nos injetar fantasia às noites rotineiras, mornas.
Se não permitimos que nos jogassem encantos,
É porque nossas razões tomaram conta dos espaços reservados à loucura sã.
O futuro é sim, um próximo instante não vivido, ainda,
Que espera pela hora certa de vingar.
No que diga respeito às paixões,
Nada temos de deuses, mas de humanos
E, humanamente, às vezes deixamos passar a hora da gota,
O vazar de nossas águas mais puras.
Porém, que sejamos cientes de nossos pequenos desacertos,
Sem amargura, sem pesar e descontentamento.
Tenhamos perdões a nós mesmos e vivamos,
Deste instante em diante, preparados e abertos para o que há de vir.
O que nos cabe merecer, mereçamos felizes.
O que nos cabe sonhar, sonhemos sorrindo.
O que nos resta esperar, esperemos cuidando do que somos,
Uma melhor versão de nos mesmos, que mereça e tenha,
Que receba e conserve, que se dê e receba,
Que seja feliz e faça.
Que nossa escolha não seja a vitimização,
Mas a honra de uma fé na vida, a graça de uma fé na vida
Que se comprova pelo simples fato de termos um beijo pelo qual esperar.
E isso, é uma resposta dada a quem estiver de passagem,
Flutuando por aqui.
Necka – 10.02.09
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