E é como se dentro do escuro da noite, houvesse um clarão, espalhado. Um instante iluminado, um lampejo, um raio qualquer disparado. É teu corpo. É ele que se entrega manso aos primeiros toques, aos acordes do início. Claro...sempre muito claro. Enfeitado de sinais coloridos, de pêlos brancos quase imperceptíveis. É nele, é no teu corpo que mergulho, como fosse um mar de águas brancas, lisas, mornas. Mergulho sem receio, sem pressa, sem descanso. É dele, do teu corpo que vêm todas as carícias nunca dadas a outro, todas as vontades nunca tidas por outro. Por ele, meu sono se atrasa, minha noite se encurta e toda veste é tirada. Com ele, toda máscara é caída, toda nudez é urgente, todo gesto é bem-vindo. E é como se dentro do breu da noite, houvesse um luzeiro. Teus olhos...me tiram de mim, me puxam pra dentro do que são, assim, sem aviso. Me entrego a eles, para eles, não há desvio possível para teus olhos. São como dois astros descidos, próximos, presentes. Vistos de perto, muito, feito aparição em sonho. Esta noite, depois de tê-los e a todo teu corpo, voltaram em sonho. Estavam de novo comigo, como se eu fosse o alvo, o destino deles, o fim. Não saíam dali, fitando o negro dos meus, como que se sentissem encontrados e nunca mais quisessem se perder de novo. Teus olhos diziam...não parte! E os meus estavam quietos demais. Nada respondiam, estavam ambos parados no tempo e no espaço, contemplando a cor indescritível que viam ali...perto, no meio de um clarão...nada respondiam, nada. E tinham tudo a dizer.
10.02.09
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Leio.