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25 de mar. de 2009

8x7

A estrada à minha frente, eu não sei o que reserva.
Este céu que me espera, eu não vejo o que prepara.
Os passos, as escolhas, as palavras,
Eu não conheço o que guardam
Escondido por debaixo das intenções, caladas.
A porta ainda não vista, que chave, não sei de nada.
O ato certeiro e seu alvo, não vi, não prevejo a nada.
As horas que vêm ainda, o tempo e suas ciladas...
Este mar que me escorre, dele, não meço as ondas.
Este sorriso que se abre, motivos, largura,
Os lábios poucos e sua textura...
As cidades que se aumentam, seus nomes,
Suas moradas, pessoas e prédios e escombros...
Aonde vão não me importa, nem mulheres nem seus homens,
Crianças e velhos, começos e finais de vidas,
De somas não entendo tanto, nem pretendo.
São desvalidas todas elas, uma vez que nada façam,
Nada signifiquem nem causem diferença.
O resultado do dia, o fruto que deu-se agora,
O nascimento recente da última flor possível,
A forma que a nuvem teve, a chuva que se anunciava...
Se tenho respirado e é cheiro,
Se tenho bebido e é água,
Se tenho vivido e é de êxtase, de que me adianta uma estrada?
Para que servem as coisas quando tudo que se quer já existe
E basta?

Necka Ayala. 25.03.09

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