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20 de mar. de 2009

Borboletas Voadoras

Ah, pois é...eu sou meio contra o Amor mesmo. Não por ele mesmo, o cara em si, o conceito dele. Mas o exercício viciado que quase todo mundo que conheço pratica em nome dele. Acho, na verdade, a essência do Amor meio demais. Um exagero do próprio exagero. Uma over! Assim, vivo de ficar adiando o amor para mais tarde, tentando, de todas as formas conhecidas e não, estender o resto – a parte que trata do doce sabor de não conhecer tanto assim ao outro, o período sadio da curiosidade sem jamais saciá-la por inteiro, o tempo que o tempo nos dá da imaginação fértil e criativa, da boa! Gosto desse início, dessa aceleração, da falta de controle sobre pensamentos, atos e palavras. Do frio na barriga que alguns chamam de ‘borboletas no estômago’ (como elas foram parar lá dentro, será?)...bem, enfim...prefiro o arrepio ao aconchego seguro, como opto pela incerteza do dia de amanhã em vez da firmeza sólida do amor do outro. Sou mais a sensação de descer a serra sem freios do que a promessa de um novo aniversário de casamento. Ok, nem todos precisam concordar, embora todo mundo admita que “apaixonar-se é a melhor coisa do mundo”, ô gente confusa! Admitam, irmãzinhas! Poupem nosso precioso tempo, todas!
Uma das minhas amigas, recentes, diz que prefere Pedalinho na Lagoa à Montanha Russa. Mesmo não sendo eu uma adepta das alturas, de jeito nenhum eu preferiria ficar nessa de pedalar na chata da Lagoa, com a mesma vista, paradona, igualzinha sempre...ah, eu não! Tudo bem que isso venha a acontecer anos depois, quando se chega à conclusão de que ta, é essa a pessoa a deu. O resto foi vivido intensamente, as fases lúdicas e maravilhosas foram todas devoradas pelo tempo implacável...tuuuuudo bem. Mas sair querendo chegar aí antes da hora, tem dó! Se é possível, na Montanha Russa, nem chegar a ver paisagem, por causa da velocidade com que tudo passa, pra que descer dali?
E tem um fator importante e, no meu caso, de extrema relevância: amor próprio! Amor trata de amar a outro. Paixão trata de auto-satisfação: fome, desejo, vontade, urgência, vaidade, egoísmo, natureza, força vital, coisas assim, que a gente vai deixando de lado, vai esquecendo num canto (em nome do tal amor ao outro) e, tempos depois, alega que não tem mais...ora ora...que lástima! As pessoas fazem sempre o mesmo trajeto: vão largando as coisas que mais queriam em função de se sentirem ‘amando’. Só pra depois ficarem reclamando que não se sentem mais isso ou aquilo, que a vida perdeu o brilho, que a relação esfriou...hum? Quem esfriou foi a tesão de si por si mesmo! Foi deixar de se apaixonar pela vida, a própria, a imagem insuficiente que se vê quando se esquece de refazer a tudo, todo dia, criativamente. Todo mundo diz que amor é mais, que uau! Mas todo mundo sente falta de que mesmo?
Nada contra Amor. O cara em si. Este que, um certo tempo depois, se tem, inevitavelmente por pessoas e pelo outro. Sigo dizendo que amor é para a humanidade toda, todinha! Incluindo meu Amado Judas Tadeu Queridão! E que a Paixão é para si mesmo e mais um (ou mais de um, tudo bem – aí vai da gula de cada um). Mas Amor sadio, são, legítimo na estrutura: vai e volta, dá e recebe, troca e simultaneidade. Amor que preza o outro, não se obriga. Amor que ouve o outro, não se força. Amor que recebe o outro, não cede. Que se rende ao outro, não se prende (Sheyla de Castilho). Amor que vibra ao doar em vez de ferir-se ao fazê-lo. Desse sou fã! É um tipo de Amor purinho, claro, bom como manhã de Sol no inverno de Porto. Amor de querer bem, de boa-vontade e de festa quando acontece. De qualquer forma, quanto mais ele demorar pra chegar, melhor!: que sejam borboletas imaginárias no estômago, friozinho na barriga, arrepios na pele...porque é coisa boa, concordam? E chega desse papo furado de “o que é bom dura pouco: não seja pão-duro, compre outro ingresso, suba de novo na Montanha Russa, dê quantas voltas forem possíveis e só desça de lá, pelo amor de Deus (literalmente), quando não houver mais nenhuma moedinha na carteira! Borboletas voam, não pedalam! Mensagem do Dia: ganhe dinheiro para poder andar bastante na Montanha Russa e apaixone-se pela felicidade a ponto de não poder mais viver sem ela!

NA. 20.03.09

2 comentários:

  1. Não é por acaso que sou tua irmã.Faço das suas as minhas palavras.Amor é como emprego com carteira assinada, continuamos na loucura de ser autônomas.Bj te amo!

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  2. eu prefiro um dia saltar de asa delta e no outro andar de pedalinho! acho que assim encontro o meu ponto de equilíbrio - vertigem da queda e depois planar suave... e por aí vai...e viva as diferenças! obrigado por me citar.
    beijo, querida!

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