É vero, Sis, que viver cansa. Cansa mesmo, de fato. Acordar e fazer a mesma rotina inexpressiva que, com o tempo, se torna ainda mais. Assentir com o que nos é imposto e, por tanto, tem esse nome. Refazer sonhos recém desfeitos, inventando fé e força que recém se partiram, remendá-las de novo para, com elas, tecer mais desesperanças não-sonhadas. Sim, viver cansa – enxergar a luz da realidade, que fere e maltrata os nossos olhos bem-intencionados; carregar nas mãos o amor sentido e o outro, tornado carga em vez de aliviar o muito que já tínhamos atrelado; justificar com o nosso, os atos advindos dos outros, porque é isso que insiste em fazer nosso coração de amor-inteiro. Mas quem condenou-nos a amar inteiramente, senão nós e a nossa prepotência orgulhosa de sermos donas de uma coisa toda ela, inteira? Quem quis amar a despeito de seus próprios limites, senão nós mesmas? Ah, dirão: amor que é amor não conhece limites! Que empáfia o amor veste para subir ao púlpito e pregar suas honrarias, seus dogmas! Talvez o amor não conheça mesmo limites e isso, justamente, faça dele tão algoz quanto redentor. Porém, pessoas têm limites. Idas, tempo, também têm. Viver além dos nossos limites é que cansa mais. “Não ter e ter de ter pra dar”, “lamber o chão dos castelos suntuosos dos nossos sonhos”. Para que? Perguntei meses atrás, quando recém nos conhecíamos: quem nos trouxe até aqui – o abandono de nós a nós mesmas? Sejamos justas e honestas, foi! Porque até poderíamos nos disfarçar de altruístas e dizer, livrando a cara, que não, não foi isso: foi amar demais ao outro. Conversa! Foi entrega extrema ao outro – ilusão-madrasta que só vê sua própria imagem muito melhorada no espelho e, de novo, se pergunta: existe alguém mais bela do que eu?
É fato que viver cansa. Não posso discordar, conheço a sensação e a vontade reincidente de desistir dela. No entanto, lendo o poema que postaste, no qual está escrito que nada muda, que tudo tem sempre a mesma cor, que não neva vermelho, enfim...vim te acrescer de indagações e insights. É verdade: não neva vermelho. O sol não muda. Nem a árvore dará mais que fruto, folha, flor. Mas o ponto muda: é, na verdade, uma bênção que nada disso se altere. Para que a vontade em nós de tudo isso possa alterar-se. Uma vez que haja fome, quererás o mesmo fruto, a certeza dele, o sumo, o cheiro e a cor de maturidade impressa na pele dele. O que muda é teres fome ou fastio. Quererás o Sol colorindo tua pele de novo quando, de novo, houver motivos para tanto. Esperarás ansiosamente a mesma Lua branca e sempre impressionante, quando teus olhos estiverem enamorados pela embriaguez da paixão, coisa que o amor tratou de tirar de cena. A vida que cansa é a vida-não-vivida, não pulsada, não latejante, não exercida.
E também é preciso que haja fastio antes de haver mais fome. É preciso haver a solidão da cama antes de haver mais desejo. Tudo está sempre certo. Nós não. Com o tempo e, considerando condições, acomodações, covardias e desculpas rotas que repetimos diante daquele mesmo espelho, somos nós a nos enfartar de reprises e de reincidências no morno dos dias. Somos nós a escolher de novo a escolha conhecida, que resultará sempre no mesmo fim, conhecido. Somos nós a deixar passar o Louco, de olhos semi-abertos, abraçadas ao Pouco-seguro. Então, amada Sis, te afirmo com toda convicção que a Loucura me deu, desde que nasci: a vida só cansa quando não-vivida. E quem decide por vivê-la ou deixá-la auto-consumir-se, somos nós! Quando teus olhos se deixarem ferir pela beleza de alguém que te acelere o peito, quererás morder desse fruto. Quando tuas pernas voltarem a querer a dança, quererás a Lua como testemunha e sentinela da tua noite nova. Quando te deixares desejar de novo, verás que sim, pode até vir a ‘nevar vermelho’... E meu voto sincero nesta tarde qualquer de sexta-feira, é que te canses logo e muito dessa vida qualquer de sexta-feira. Para que uma próxima, em breve, seja o grato dia da semana em que se comemora a chegada de alguém...assim, para quem temos o imenso prazer vivo de nos preparar. Com meu carinho sempre, Sis.
É fato que viver cansa. Não posso discordar, conheço a sensação e a vontade reincidente de desistir dela. No entanto, lendo o poema que postaste, no qual está escrito que nada muda, que tudo tem sempre a mesma cor, que não neva vermelho, enfim...vim te acrescer de indagações e insights. É verdade: não neva vermelho. O sol não muda. Nem a árvore dará mais que fruto, folha, flor. Mas o ponto muda: é, na verdade, uma bênção que nada disso se altere. Para que a vontade em nós de tudo isso possa alterar-se. Uma vez que haja fome, quererás o mesmo fruto, a certeza dele, o sumo, o cheiro e a cor de maturidade impressa na pele dele. O que muda é teres fome ou fastio. Quererás o Sol colorindo tua pele de novo quando, de novo, houver motivos para tanto. Esperarás ansiosamente a mesma Lua branca e sempre impressionante, quando teus olhos estiverem enamorados pela embriaguez da paixão, coisa que o amor tratou de tirar de cena. A vida que cansa é a vida-não-vivida, não pulsada, não latejante, não exercida.
E também é preciso que haja fastio antes de haver mais fome. É preciso haver a solidão da cama antes de haver mais desejo. Tudo está sempre certo. Nós não. Com o tempo e, considerando condições, acomodações, covardias e desculpas rotas que repetimos diante daquele mesmo espelho, somos nós a nos enfartar de reprises e de reincidências no morno dos dias. Somos nós a escolher de novo a escolha conhecida, que resultará sempre no mesmo fim, conhecido. Somos nós a deixar passar o Louco, de olhos semi-abertos, abraçadas ao Pouco-seguro. Então, amada Sis, te afirmo com toda convicção que a Loucura me deu, desde que nasci: a vida só cansa quando não-vivida. E quem decide por vivê-la ou deixá-la auto-consumir-se, somos nós! Quando teus olhos se deixarem ferir pela beleza de alguém que te acelere o peito, quererás morder desse fruto. Quando tuas pernas voltarem a querer a dança, quererás a Lua como testemunha e sentinela da tua noite nova. Quando te deixares desejar de novo, verás que sim, pode até vir a ‘nevar vermelho’... E meu voto sincero nesta tarde qualquer de sexta-feira, é que te canses logo e muito dessa vida qualquer de sexta-feira. Para que uma próxima, em breve, seja o grato dia da semana em que se comemora a chegada de alguém...assim, para quem temos o imenso prazer vivo de nos preparar. Com meu carinho sempre, Sis.
Sis, concordo contigo amada, mas hj.. exatamente hoje eu só queria "morrer por um bocadinho,de vez em quando, e recomeçar depois, achando tudo mais novo". E assim ficar lá quieta, num silêncio tão profundo, que nem reticências eu deixaria. Obrigada amada. Amo!
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