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4 de mar. de 2009

Grilos

Esses ossos que tenho...ossos que se quebram, se quebram em qualquer ser humano. Esses cabelos que caem, caem de qualquer ser humano. Esse sangue quente que percorre-me as veias, percorre as de todo ser humano. Sei pouco ainda sobre tudo. E esse ser humano que sou, separado há 45 anos daquela que nasci, sobretudo, sabe menos quanto mais vive. Quanto mais vive, mais vê, menos entende, muito pouco conclui e nada finda. Nada que senti teve fim. Tudo que meu peito abrigou e de tudo do qual se alimentou teve seqüência, foi mais longe do que fui eu mesma. Olho à minha volta agora. Há grilos – sinal de que vem chuva. Há duvida: sinal de que os tempos mudaram e hoje não se sabe mais prever o tempo. Mudamos, alteramos o curso da natureza e do tempo. Perdemos o pouco de certeza que tínhamos de que nuvens negras querem dizer temporais e que cerração baixa é sol certo e a pino. Olho aos seres humanos à minha volta. Alguns pelos quais já não sinto nada. Me perguntam se concordo com o final de vidas que atacam outras vidas. Eu não sei. Sei que Deus permitiu a existência de todas as que aqui estão. E se Ele assim o quer...quem sou eu para desrespeitar ao Criador?! Todo ser humano tem meu respeito prévio e a minha eterna tentativa de entendimento. Mesmo aquele que agride, aquele que fere, aquele que mente. Feitos igualmente de ossos e de cabelos e de sangue, desconheço seus motivos. Desconheço a mim, muitas vezes. Olho apenas. Contemplo o mundo à minha volta; a mim, a volta. Volto. Refaço traçados, retomo coisas antigas de outro lugar agora. E espero: talvez grilos ainda tragam a chuva quando se calarem. Talvez tudo mude de agora em diante, de novo, como tem mudado a cor dos fios do meu cabelo ralo e a textura da minha pele. O que não muda é minha fé e Deus. E Ele sempre me responde sim.

Necka Ayala. 04.03.09

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