Será que o Sol leva consigo os olhos ofuscados de tanto que a tudo ofusca, e assim, nunca tem luz? Porque ele não tem visto quanto dano causa, além de toda vida que poderia – o Sol não se consegue enxergar, nem deitar-se ele mesmo à luz do que é. Aquilo que é, nunca se tem. O Sol é toda a luz e não a tem. A morte é toda ela e nunca tem a ninguém, pois quando chega, todos já foram. Será que o Sol entende, que possa mesmo, estar dando vida, mas não consiga mensurar sua inferência? Será que percebe que mais arde do que acaricia, mais invade do que adentra, mais fere do que aquece? O raio, sobre a pele nua que passa despercebida, a pétala que nada pode fazer a não ser enfeitar a seu próprio cativeiro, imóvel para sempre...tudo entregue a ele, que segue aceso em seu leito azulado que nem ele vê. Será que o Sol sabe quando é dia e onde? Será que entende a passagem das horas? Quantas ele já tornou insuportáveis, quantas ele já viveu assim? Será que o Sol se pensa, o sol se sabe Sol? Sobre a areia, a pureza das crianças aprendendo do verão, o sabor de liberdade e sal que tem. Sobre os telhados, varais expostos, lotados de vestes com as quais nos mascaramos todos, tentando nos defender do excesso de luz, das verdades, das coisas ditas à luz do sol.
E se esses raios não forem de astro algum? Se for mentira do mesmo Deus que inventou a poesia e a chamou, romanticamente de Ilusão...? Será que era Sol que eu via? Estava ali? Eu estava. Andando numa calçada qualquer, desavisada. Brincando com a areia sem dar-me conta do mar ameaçador ali, à frente, para onde me dirigia infantilmente, aprendendo do verão, o sabor de sal e liberdade...enfeitando a sala da casa com pétalas deitadas sobre a mesa...e eu me despia para esperar inteiramente envolvida numa verdade. A verdade do que eu era, a verdade do que eu queria. E era um Sol enganador. A quem não interessa saber da força do raio que infere sobre tudo, a quem não importam os obstáculos, ele invade às frestas, todas as portas. Eu estava lá. E achei ter visto um sol sobre meus dias, os que viriam ainda e que hoje estão. Não era. E eu não sabia.
Necka Ayaa. 22.04.09
E se esses raios não forem de astro algum? Se for mentira do mesmo Deus que inventou a poesia e a chamou, romanticamente de Ilusão...? Será que era Sol que eu via? Estava ali? Eu estava. Andando numa calçada qualquer, desavisada. Brincando com a areia sem dar-me conta do mar ameaçador ali, à frente, para onde me dirigia infantilmente, aprendendo do verão, o sabor de sal e liberdade...enfeitando a sala da casa com pétalas deitadas sobre a mesa...e eu me despia para esperar inteiramente envolvida numa verdade. A verdade do que eu era, a verdade do que eu queria. E era um Sol enganador. A quem não interessa saber da força do raio que infere sobre tudo, a quem não importam os obstáculos, ele invade às frestas, todas as portas. Eu estava lá. E achei ter visto um sol sobre meus dias, os que viriam ainda e que hoje estão. Não era. E eu não sabia.
Necka Ayaa. 22.04.09
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