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24 de abr. de 2009

Presente

Porque vi a cara que o amor tem, quando ele se parece com a verdade pura, quando ele se enfeita de sorrisos gratos, quando ele se envolve em gestos simples de partilha, renego hoje ao desamor. Porque vislumbro a cada dia aos arredores do amor, quando ele cerca de delicadezas ao nosso entorno, quando ele cobre de carinho o espaço à nossa volta, quando ele perdoa e segue em frente, feliz por ter sido renovado via-perdão, renego ao desamor. Porque daqui posso assistir à redenção do amor quando ele jura jamais abandonar suas moradas, quando ele envia de longe suas provas de sobrevivência, quando ele estende a mão, ainda que ainda sozinha, hoje, simplesmente, renego a desamor.
Todo ato de desistência é um ato de desamor. Hoje desamo a quem poderia ter amado por conta de laços, de sobrenome, de contingências. Porque percebo daqui quão rotos vão sobre seus rostos, seus disfarces. Quão breves têm sido suas mentiras, quão frágeis têm tido seus instantes. Hoje renego a isso que Deus ainda permite que eu tenha de ver. Porque daqui, de depois da despedida, ainda não viram que me despedi. Porque de longe, de estou agora, ainda não entenderam quanto já entendi. E deste lugar, é fácil perceber cada detalhe, cada nuance do que ficou lá atrás, na terra natal. E porque sei, agora sei, que rosto lindo pode ter o amor, quando ele desperta logo cedo e divide, partilha, comunga, ouve e revela, dá e recebe, faz e quer mais, renego ao que seja contrário. Porque ouço agora da voz de quem de fato me tem amor, perguntas sobre como me sinto, que demonstram a verdade de querer saber como me sinto, renego ao inverso disso.
Daqui vejo faces de amor que não via. E são muitas. Uma delas tem tido a face generosa e finalmente possível do entendimento do perdão. E perdoa. Perdoa querendo estar ainda fazendo parte do que sou, no que nos restou ser: eternas. Nela, vejo a face infinita do amor construído a ferro e fogo, forjado no tempo e refeito nos grandes equívocos, próprios de nós, apenas humanos. E sinto que o futuro reserva a essa capacidade de amor, mais amor ainda, que seja recíproco com quem encontrar ou reencontrar pelo caminho trilhado de agora. Noutro, vejo a saudade da alma gêmea que nunca se desliga por mais distante. De um homem que amei e que amo, para todo sempre, a despeito de tudo que a vida nos quis retirar. Ainda vejo outros, de quem torce, ainda que sinta uma saudade extrema, que chegue a doer, mas torce para que tudo fique bem, porque aqui está bem assim. E como se não bastasse tanto amor, este, recém-nascido, que trata de curar e de gerar um dia, mais um, de leveza e de descanso do passado. Um que me trouxe e que me tem levado adiante. Um que me mostra, das coisas que eu mesma dissera, o todo da verdade que continham. Me mostra, como se o próprio Deus tivesse dito “amém”.

Necka Ayala. 24.04.09

Um comentário:

  1. Lindo, lindo, lindo...O TODO do lindo.Ao que me toca com profundo amor, obrigada. Sempre minha parceria.É possível perdoar, pois se tem retidão. É possível amar, pois se tem uma vida: PRESENTE de Deus.Rô.

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