Ao final dessa semana diferente, às 4h30 da manhã que inicia um domingo, coisas a dizer. Coisas soltas que parecem que não irão encontrar-se entre si, mas irão. Como tudo na vida, feito colcha de retalhos, tudo faz sentido, tudo tem um porquê, uma razão de ser.
Assisti a filmes fortes, marcantes e de assuntos revoltantes nos últimos dias. Um deles, EM NOME DE DEUS. Num dado momento, uma das mulheres encarceradas injusta e cruelmente, quer se matar. Seu único objeto de sustentação, é uma medalha. Então, outra encarcerada, lhe rouba a medalha. E uma terceira pergunta como ela podia ter sido tão cruel em tirar a única coisa daquela pobre infeliz. E a ladra responde: ela queria se matar, mas não estava ainda triste o bastante. O filme, ao mesmo tempo é brilhante no texto e profundamente doloroso de ser visto. Fato real, graças a Deus, há muito tempo acontecido. Mas essa cena me marcou, por mostrar que às vezes, a gente não quer o bastante aquilo que quer.
E é preciso querer o que queremos, acima e antes de tudo, como se houvesse um ponto específico, um nível de ‘querer’. Um que acione a mudança, a quebra, o corte, a saída, a revolução, a liberdade. Vivi isso, de certa forma. Demorei demais para sair de uma determinada situação. Hoje entendo que precisava chegar ao ponto, ao TODO do querer sair. Nem 1 segundo a mais, nem 1 a menos.
Não são os argumentos racionais que nos fazem mover, chegar a esse ponto. Não é a soma de lágrimas derramadas ou a contagem de perdões que concedemos, que nos faz virar a mesa. Nem as palavras dos amigos ou os insights que temos. É o querer. Querer move a vida, apenas ele. Mas tem de ser todo o querer. O todo, mesmo que se esgotem argumentos, mesmo que cessem as lágrimas, mesmo que não haja mais o que ser perdoado.
Nosso querer transforma a tudo. E é preciso reconhecer o que mais queremos. Porém, às vezes, nossa insistência é tanta, nosso apego à dor é tamanha, nossa acomodação é tão confortável, que o que queremos passa, segue seu curso, parte. E não há nada pior que um arrependimento irreversível. Há ciscos em nossos olhos. Mas, para isso nos foi concedido o afastamento, para que olhemos de longe, podendo dimensionar melhor o que tentamos ver. Há vícios em nossos lábios, mas para tanto nos foi dado provar outros gostos. Há passos mal-dados, mas para isso nos foi dada a dádiva de voltar atrás, o que muitos consideram fraqueza e é, no entanto, humildade. Hoje, noutro grande filme, DOUBT, há uma personagem que simplesmente não ouve, não entende e não vê o que está fazendo. Às vezes, é assim, simplesmente. E quando é, precisamos deixar ir de nós o que não está nos ouvindo, nos vendo, nos entendendo. Não nos compete mais insistir, porque não nos compete apenas e porque insistir, será fazermos o mesmo conosco. No mesmo filme, diz que o amor que temos, será chamado de fraqueza pelos maus, que tentarão nos enfraquecer, julgando-nos frágeis, confundindo-nos. Mas precisamos ter amor inclusive pelo que somos e defender nossos corações da pior das enfermidades: parar de querer.
Às vezes nos fazem quase parar de querer. Por isso é preciso que seja o todo, que cheguemos ao ponto exato e o reconheçamos. Porque não nos foi dada uma vida, para que a enterremos, para que a deixemos ser subjugada. Mas nossos algozes às vezes somos nós, quando o querer que temos, é posto de lado, deixado partir. Se é preciso chegar ao todo, que consigamos. Porque de fora, nos assistem, como se assistem a filmes, nossos semelhantes. E eles esperam de nós, muitas vezes querendo muito nos tirar dali, do que nos aprisiona. De fora, nos assiste a vida, esperando que a vivamos com dignidade e amor próprio. O tempo todo, os que nos querem bem nos vêem repetindo os mesmos caminhos, tomando as mesmas escolhas que nos esmorecem. E, de fora, em silêncio amoroso, se perguntam por que o fazemos. É porque não queremos tanto assim, não ainda. Como aquela que ainda não estava triste o bastante para acabar com a vida, já que a vida, naquele caso, não fazia sentido. Prisão nenhuma faz. E quando nos tiram a liberdade, é demasiado cruel. Mas quando nós permitimos, é demasiado triste.
É preciso querer ser livre, ser gente, ser feliz. É preciso querer ver horizonte, céu aberto, futuro! E é preciso, sempre que possível, lavar os olhos, voltar atrás um pouco, para que não percamos o ponto certo, o exato ponto do todo do querer. Somente ele traz a chave ou as asas. E ninguém pode sabê-lo além de nós.
Ficando sem o que eu queria, agora, enquanto amanhece, tenho mais certeza ainda do que quero. “Me apaixonei pela felicidade e não quero mais viver sem ela”. Felicidade. Algo que existe de fato! A despeito de algozes, tiranias e auto-boicotes. Felicidade é pura e simplesmente, um querer imenso, gigantesco e são! Depois que se Quer, basta um passo, um vôo e a hora certa.
Necka Ayala. Para RVD, LM e PB. – São 5h agora.
Filmes:
- A Dúvida
- Em Nome de Deus
- Noites de Tormenta
- A Troca
- O Estranho Caso de Benjamin Button
Músicas:
- Mil Perdões, Chico Buarque.
- Mandarim, Cida Moreyra
Assisti a filmes fortes, marcantes e de assuntos revoltantes nos últimos dias. Um deles, EM NOME DE DEUS. Num dado momento, uma das mulheres encarceradas injusta e cruelmente, quer se matar. Seu único objeto de sustentação, é uma medalha. Então, outra encarcerada, lhe rouba a medalha. E uma terceira pergunta como ela podia ter sido tão cruel em tirar a única coisa daquela pobre infeliz. E a ladra responde: ela queria se matar, mas não estava ainda triste o bastante. O filme, ao mesmo tempo é brilhante no texto e profundamente doloroso de ser visto. Fato real, graças a Deus, há muito tempo acontecido. Mas essa cena me marcou, por mostrar que às vezes, a gente não quer o bastante aquilo que quer.
E é preciso querer o que queremos, acima e antes de tudo, como se houvesse um ponto específico, um nível de ‘querer’. Um que acione a mudança, a quebra, o corte, a saída, a revolução, a liberdade. Vivi isso, de certa forma. Demorei demais para sair de uma determinada situação. Hoje entendo que precisava chegar ao ponto, ao TODO do querer sair. Nem 1 segundo a mais, nem 1 a menos.
Não são os argumentos racionais que nos fazem mover, chegar a esse ponto. Não é a soma de lágrimas derramadas ou a contagem de perdões que concedemos, que nos faz virar a mesa. Nem as palavras dos amigos ou os insights que temos. É o querer. Querer move a vida, apenas ele. Mas tem de ser todo o querer. O todo, mesmo que se esgotem argumentos, mesmo que cessem as lágrimas, mesmo que não haja mais o que ser perdoado.
Nosso querer transforma a tudo. E é preciso reconhecer o que mais queremos. Porém, às vezes, nossa insistência é tanta, nosso apego à dor é tamanha, nossa acomodação é tão confortável, que o que queremos passa, segue seu curso, parte. E não há nada pior que um arrependimento irreversível. Há ciscos em nossos olhos. Mas, para isso nos foi concedido o afastamento, para que olhemos de longe, podendo dimensionar melhor o que tentamos ver. Há vícios em nossos lábios, mas para tanto nos foi dado provar outros gostos. Há passos mal-dados, mas para isso nos foi dada a dádiva de voltar atrás, o que muitos consideram fraqueza e é, no entanto, humildade. Hoje, noutro grande filme, DOUBT, há uma personagem que simplesmente não ouve, não entende e não vê o que está fazendo. Às vezes, é assim, simplesmente. E quando é, precisamos deixar ir de nós o que não está nos ouvindo, nos vendo, nos entendendo. Não nos compete mais insistir, porque não nos compete apenas e porque insistir, será fazermos o mesmo conosco. No mesmo filme, diz que o amor que temos, será chamado de fraqueza pelos maus, que tentarão nos enfraquecer, julgando-nos frágeis, confundindo-nos. Mas precisamos ter amor inclusive pelo que somos e defender nossos corações da pior das enfermidades: parar de querer.
Às vezes nos fazem quase parar de querer. Por isso é preciso que seja o todo, que cheguemos ao ponto exato e o reconheçamos. Porque não nos foi dada uma vida, para que a enterremos, para que a deixemos ser subjugada. Mas nossos algozes às vezes somos nós, quando o querer que temos, é posto de lado, deixado partir. Se é preciso chegar ao todo, que consigamos. Porque de fora, nos assistem, como se assistem a filmes, nossos semelhantes. E eles esperam de nós, muitas vezes querendo muito nos tirar dali, do que nos aprisiona. De fora, nos assiste a vida, esperando que a vivamos com dignidade e amor próprio. O tempo todo, os que nos querem bem nos vêem repetindo os mesmos caminhos, tomando as mesmas escolhas que nos esmorecem. E, de fora, em silêncio amoroso, se perguntam por que o fazemos. É porque não queremos tanto assim, não ainda. Como aquela que ainda não estava triste o bastante para acabar com a vida, já que a vida, naquele caso, não fazia sentido. Prisão nenhuma faz. E quando nos tiram a liberdade, é demasiado cruel. Mas quando nós permitimos, é demasiado triste.
É preciso querer ser livre, ser gente, ser feliz. É preciso querer ver horizonte, céu aberto, futuro! E é preciso, sempre que possível, lavar os olhos, voltar atrás um pouco, para que não percamos o ponto certo, o exato ponto do todo do querer. Somente ele traz a chave ou as asas. E ninguém pode sabê-lo além de nós.
Ficando sem o que eu queria, agora, enquanto amanhece, tenho mais certeza ainda do que quero. “Me apaixonei pela felicidade e não quero mais viver sem ela”. Felicidade. Algo que existe de fato! A despeito de algozes, tiranias e auto-boicotes. Felicidade é pura e simplesmente, um querer imenso, gigantesco e são! Depois que se Quer, basta um passo, um vôo e a hora certa.
Necka Ayala. Para RVD, LM e PB. – São 5h agora.
Filmes:
- A Dúvida
- Em Nome de Deus
- Noites de Tormenta
- A Troca
- O Estranho Caso de Benjamin Button
Músicas:
- Mil Perdões, Chico Buarque.
- Mandarim, Cida Moreyra
[Depois que se Quer, basta um passo, um vôo e a hora certa.]
ResponderExcluirE..tudo acontece! Eu vi Sis, eu vivi!! E és parte do todo disso.
Amo.