Ontem ouvi do Padre Alessandro, que a TV e os Jornais convencem mais do que um padre falando no altar. Fiquei pensando em quanta gente daquelas que ali estavam, puderam compreender o que ele disse.
Se eu imaginar uma pessoa sem emprego, sem recurso algum, sem saída, vivendo uma situação-limite; digamos que essa pessoa acabe de ter um filho, que fique olhando pra ele, enternecida, cheia de um amor sobre-humano, com ímpetos de registrar para sempre cada dia do seu crescimento, cada feição nova que o tempo desenha ali, naquela pele feito folha em branco...; diante da TV e da pompa perfeita das cenas de novelas, onde cada personagem tem a versão mais recente de uma cyber-shot, por exemplo, a vontade frustrada corta os olhos. Diante da beleza estampada propositalmente, da moda ditada na intenção do consumo, do desfile de marcas e possibilidades, dos sem-número de objetos lindos e tecnológicos, é quase impossível não se querer TER. Se convence? Ah, convence! Porque somos humanos e sentimos. E certos consumismos são legítimos, justificáveis até. Querer fotografar, filmar, gravar a cara de um filho ou querer dar um presente certeiro para alguém especial como gratidão, são consumismos bons. Dia desses vi uma amiga que sonha, sonha mesmo, de fato, poder dar para a mãe um aparelho que toque cds. Simples, não? Pra ela é sonho. Ainda é. A TV convence sim. Os jornais também, claro. De certa forma, convencem até os padres de que uma Igreja reformada, erguida em nome de Deus, seja um bom consumismo.
O fato é que existem consumismos bons. Como existem padres bons, igrejas boas, pessoas boas. Nos cabe discernir. De tudo que eu queria poder ter hoje, o essencial é pouco, pensando bem. Material para construir mais caixas – só isso por hoje. Para vender mais caixas, ganhar meu dinheiro honestamente e, assim, ocupada, não precisar ver TV.
Quando a gente se ocupa de coisas realmente válidas, a TV fica desligada. Quando a gente preenche a cabeça com reflexões úteis, não é tão simples assim nos convencer. Às vezes a gente tem de se resignar, esperar a hora certa de ter certas coisas. Às vezes a gente ouve um monte de palavras e precisa separar o joio do trigo. E é isso que significa livre arbítrio. Poder pensar, tirar conclusões, filtrar imagens e pontos de vista. Eu gosto de consumir coisas, como gosto de Igreja e de ouvir padres falando. Mas adoraria que a TV oferecesse mais arte, mais poesia, mais motivos de reflexão, como adoraria que padres falassem mais claro, para que as pessoas entendessem o que foram fazer lá, diante deles. Adoraria que todo mundo pudesse trocar idéias sem julgamentos estabelecidos e que todo mundo também tivesse as mesmas condições de comprar coisas queridas apenas. Mas, acima de tudo, eu queria mesmo, de verdade, que todas as pessoas tivessem um filho lindo pra ficar olhando, uma linda obra de arte criada pelas próprias mãos, um amor novinho em folha pra querer presentear, um trabalho novo que desse nova vida à vida, uma crença pela qual viver, uma filosofia pela qual lutar. Assim, nem a TV nem os discursos, seriam tão necessários: um porque distrai enquanto nos convence de quanta coisa nós não temos, outro porque tenta nos consolar disso sem falar claro o bastante, porque queremos tanta coisa. O que o Padre Alessandro não disse, é que, quando a gente vive, não precisa de TV nenhuma: a vida convence!

NA. 06.05.09
Se eu imaginar uma pessoa sem emprego, sem recurso algum, sem saída, vivendo uma situação-limite; digamos que essa pessoa acabe de ter um filho, que fique olhando pra ele, enternecida, cheia de um amor sobre-humano, com ímpetos de registrar para sempre cada dia do seu crescimento, cada feição nova que o tempo desenha ali, naquela pele feito folha em branco...; diante da TV e da pompa perfeita das cenas de novelas, onde cada personagem tem a versão mais recente de uma cyber-shot, por exemplo, a vontade frustrada corta os olhos. Diante da beleza estampada propositalmente, da moda ditada na intenção do consumo, do desfile de marcas e possibilidades, dos sem-número de objetos lindos e tecnológicos, é quase impossível não se querer TER. Se convence? Ah, convence! Porque somos humanos e sentimos. E certos consumismos são legítimos, justificáveis até. Querer fotografar, filmar, gravar a cara de um filho ou querer dar um presente certeiro para alguém especial como gratidão, são consumismos bons. Dia desses vi uma amiga que sonha, sonha mesmo, de fato, poder dar para a mãe um aparelho que toque cds. Simples, não? Pra ela é sonho. Ainda é. A TV convence sim. Os jornais também, claro. De certa forma, convencem até os padres de que uma Igreja reformada, erguida em nome de Deus, seja um bom consumismo.
O fato é que existem consumismos bons. Como existem padres bons, igrejas boas, pessoas boas. Nos cabe discernir. De tudo que eu queria poder ter hoje, o essencial é pouco, pensando bem. Material para construir mais caixas – só isso por hoje. Para vender mais caixas, ganhar meu dinheiro honestamente e, assim, ocupada, não precisar ver TV.
Quando a gente se ocupa de coisas realmente válidas, a TV fica desligada. Quando a gente preenche a cabeça com reflexões úteis, não é tão simples assim nos convencer. Às vezes a gente tem de se resignar, esperar a hora certa de ter certas coisas. Às vezes a gente ouve um monte de palavras e precisa separar o joio do trigo. E é isso que significa livre arbítrio. Poder pensar, tirar conclusões, filtrar imagens e pontos de vista. Eu gosto de consumir coisas, como gosto de Igreja e de ouvir padres falando. Mas adoraria que a TV oferecesse mais arte, mais poesia, mais motivos de reflexão, como adoraria que padres falassem mais claro, para que as pessoas entendessem o que foram fazer lá, diante deles. Adoraria que todo mundo pudesse trocar idéias sem julgamentos estabelecidos e que todo mundo também tivesse as mesmas condições de comprar coisas queridas apenas. Mas, acima de tudo, eu queria mesmo, de verdade, que todas as pessoas tivessem um filho lindo pra ficar olhando, uma linda obra de arte criada pelas próprias mãos, um amor novinho em folha pra querer presentear, um trabalho novo que desse nova vida à vida, uma crença pela qual viver, uma filosofia pela qual lutar. Assim, nem a TV nem os discursos, seriam tão necessários: um porque distrai enquanto nos convence de quanta coisa nós não temos, outro porque tenta nos consolar disso sem falar claro o bastante, porque queremos tanta coisa. O que o Padre Alessandro não disse, é que, quando a gente vive, não precisa de TV nenhuma: a vida convence!

NA. 06.05.09
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