Na noite anterior, não houve calma, nem sossego. Houve aflição, corpo rijo, ansiedade. Acordei de um grito meu, de dor, uma irrompida pela perna sem avisos, avisando, por certo, que amanhecia – quisesse eu ou não. Levantei como soldado que parte pra guerra, sem saber ainda se haveria uma, lá, no sul, pra onde rumavam meus passos. Voltar à cidade depois de quase 5 meses, seria, no mínimo, curioso. Havia saudades das ruas, da cor de Porto Alegre quando o inverno se anuncia, prévio, antecipado no minuano. E algumas saudades de coisas, da casa, de algumas pessoas, da sensação de estar “em casa”.
Pouso feito com atraso, ninguém no aeroporto, táxi sempre ali – é Porto Alegre, afinal – tudo funciona. Descendo a 24, tudo estava tão profundamente no mesmo lugar! Mas eu não percebi sinais, ainda não.
Abrindo a porta do apartamento, estranhei as coisas, os objetos trocados, o tamanho de tudo, pareceu tão menor. Não encontrei vizinhos que costumavam não me deixar em paz por muito tempo. Ali dentro, ainda apreensiva, tratava de fazer o que fora fazer lá. As horas voaram, mas eu não me sentia em casa, estando lá. Não demorou para que eu soubesse o que seria. E foi. De novo. O mesmo enfrentamento, a mesma dor, o desfecho que tanto lutei para crer que mudaria com o tempo. Não mudou. Nada.
Trouxe comigo o que pude trazer: a certeza que eu não tinha até então, de que abrir a porta era a melhor coisa que eu fizera. Mas desta vez não fui eu a abrir a porta: foi Deus. Descendo as escadas eu soube que agora era definitivo. Todo “fim” traz consigo uma verdade inegável, à qual se é obrigada a deitar os olhos, por mais que fira, para vê-la toda. E ver é irreversível. O que doeu, ainda que pouco, serviu para lembrar o que dor significa. O que vivi em 2 noites dentro daquela casa, serviu para que minha alma envelhecesse mais. Fiz o que fui fazer: um adeus, oficial, feito ponto final em textos, onde havia deixado reticências.
O vôo de volta foi pontual, rápido, como se soubesse que eu queria voltar logo. Tudo em seu lugar, mais calmo e silencioso do que eu merecia: lindo! Tudo aberto, o dia, os olhos, as certezas postas à minha frente. Não havia ninguém em casa. Mas esta, esta casa, nunca esteve tão cheia antes: havia luz.
Necka. 10.06.09
Pouso feito com atraso, ninguém no aeroporto, táxi sempre ali – é Porto Alegre, afinal – tudo funciona. Descendo a 24, tudo estava tão profundamente no mesmo lugar! Mas eu não percebi sinais, ainda não.
Abrindo a porta do apartamento, estranhei as coisas, os objetos trocados, o tamanho de tudo, pareceu tão menor. Não encontrei vizinhos que costumavam não me deixar em paz por muito tempo. Ali dentro, ainda apreensiva, tratava de fazer o que fora fazer lá. As horas voaram, mas eu não me sentia em casa, estando lá. Não demorou para que eu soubesse o que seria. E foi. De novo. O mesmo enfrentamento, a mesma dor, o desfecho que tanto lutei para crer que mudaria com o tempo. Não mudou. Nada.
Trouxe comigo o que pude trazer: a certeza que eu não tinha até então, de que abrir a porta era a melhor coisa que eu fizera. Mas desta vez não fui eu a abrir a porta: foi Deus. Descendo as escadas eu soube que agora era definitivo. Todo “fim” traz consigo uma verdade inegável, à qual se é obrigada a deitar os olhos, por mais que fira, para vê-la toda. E ver é irreversível. O que doeu, ainda que pouco, serviu para lembrar o que dor significa. O que vivi em 2 noites dentro daquela casa, serviu para que minha alma envelhecesse mais. Fiz o que fui fazer: um adeus, oficial, feito ponto final em textos, onde havia deixado reticências.
O vôo de volta foi pontual, rápido, como se soubesse que eu queria voltar logo. Tudo em seu lugar, mais calmo e silencioso do que eu merecia: lindo! Tudo aberto, o dia, os olhos, as certezas postas à minha frente. Não havia ninguém em casa. Mas esta, esta casa, nunca esteve tão cheia antes: havia luz.
Necka. 10.06.09
Passando por aqui e vendo que as coisas se encaminharam. Que bom Necka!
ResponderExcluirAbraço
Objetos mudaram de lugar, alguns sairam outros chegaram para preencher espaços que imaginávamos inexistentes, para fazer eu me sentir em casa na minha própria casa. Encontrarás aqui, sempre, tudo o que encontraste da primeira vez que vieste: luz, paz, amor, muito amor. Esta casa e eu, estaremos sempre de braços abertos e cheias de coisas boas pra ti. Bem vinda de volta, agora inteira, à nossa casa.
ResponderExcluirUm beijo e todo meu amor.
continue sempre a seguir essa luz!
ResponderExcluirbeijo da sua amiga e parceira de versos na vida...
(sheyladecastilhoº