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16 de jun. de 2009

Fardo

Meu olho sente falta do raio do teu sobre eles. Essa inferência, essa luz toda, essa anti-calma. Sente a ausência do teu que lhe aflige e ao mesmo tempo lhe descansa do resto, do cinza das ruas, do longo das horas em que tudo se assemelha ao nada. É nada o que resta quando sem ti. Sei que todo amor é um fardo que nos carrega. Ele me tem. Como meu olho tem a presença dos teus quando me faltas, porque o vazio que me fica ainda é maior. Minha mão se põe inútil quando longe da tua. Essa brancura, a tessitura que tem ela, a tua mão. Sente que lhe envolve o ar que passa...minha mão passa tempo demais sem ti. E sei que toda paixão é um traço que nos dirige, um pouco de estrada, muito de movimento, passos inevitáveis. Tudo em mim agora te sente mais porque não estás. É como o céu que não sabe quanto possui de espaço vago, sem estrelas. É como o mar que desconhece o quanto de si se aprofunda. Ele só sabe que de vez em quando algo lhe acomete, vem, acontece e aquela sensação o justifica, o faz ser mais, ser onda.

Necka. 16.06.09

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