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16 de jun. de 2009

Peço...

Não me deixa perder a fé nas coisas inexplicáveis, nos mitos, no impossível, na classe das coisas não-ditas demasiado às claras. Não me deixa perder a vontade do mistério, nem a fome do inalcançável, nem a pressa pelo dia de hoje. Não me deixa romper laços com o que me faz minha, a mudança veloz do riso ao pranto, a saudade feroz das coisas deixadas lá atrás. Não me permite esquecer nada que eu tenha amado, nem me faz renunciar ao que me faça parte, dentro, onde moram todos os pedaços que me perfazem. Não me desencanta do silêncio, lindo silêncio, quando olhos dizem mais que lábios, gestos podem mais que poemas, sons mostram mais que canções. Nem me desapega do que me importa - as cenas, as chaves, as portas, as represas, as vielas, as ruas, as comportas. Me deixa ter estradas ainda que eu não caminhe. Me deixa ter noites sem sono, ainda que eu não escreva. Espera que eu volte de repente, sem chamados, não me chama! Me deixa te deixar às vezes, para que eu queira voltar o quanto antes. Não me deixa cortar nem separar nem estragar a simetria que vejo em tudo, tudo que seja par e tenha um ao lado. Porque nada veio ao mundo pra ser só – tudo merece algo a seu lado. Não me deixa ficar tempo demais perto demais do chão...eu preciso sair de mim sempre que posso. O chão é pouco, tão pouco...e tenho asas...imaginárias, quase que inúteis, mas eu creio em vôos feitos daqui mesmo. E é quando o que te peço quer dizer que fiques, que quero que fiques mais, muito mais tempo ainda. Talvez para todo sempre, eu não sei. Eu sei que quero te querer...

Necka. 16.06.09

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