Pesquisar este blog

20 de jul. de 2009

In-tensa

“A Flor enfeita o próprio cativeiro”. (Necka Ayala, 20.07.09)

É como se eu quisesse que assim não fosse, mas é. Quisera ter um coração mais raso, que não transbordasse tanto, nem inundasse teus olhos, para além dos meus. O que sai de mim é sempre demais, é sempre excessivo, sempre! Intensidade! Não sei se é isso, se a palavra é essa. É como dizer do mar que tenha demasiadas águas. É mar, não é veio, não é sanga, não pode ser pouco – e, ao mar, não se estanca. Presa numa habitação não escolhida, esse corpo, essa morada, vivo aqui, com todas as conseqüências disso, inevitáveis. E às vezes é como a flor que adorna o próprio jazigo, que nada pode fazer a não ser ela mesma quem é.
Quisera ter dosagem, poder sentir homeopaticamente, aos poucos, como é aos poucos que se constrói toda solidez. E é como folha liberta, solta ao sabor da tempestade, indo sem saber que destino lhe dará pouso, se é que terá um. Não consigo sentir menos, querer pouco, fazer nada. Não há aflição nem tanta velocidade, mas há a urgência e a pontualidade do que sinto no que sinto.
Quisera ter a leveza que vejo, dia após dia, sair dos teus gestos, cada vez mais. Essa retidão, esse comedimento, essa ausência de arroubos que teu coração vivencia. Quisera não gastar horas sendo consumida pelas coisas que sinto. As horas me consomem e eu nada sei sobre nada nessas horas. As coisas que sinto me cegam, se alastram, me confessam, me mostram. Elas simplesmente chegam assim, como chega a ti qualquer vontade, no meio do dia, qualquer saudade. Quisera poder adornar o que existe para que a beleza que vejo, envolvesse também aos teus olhos claros. Mas a beleza não cabe a mim. Só me foi dada a dádiva de contemplá-la, seja no céu da cidade, um céu sempre desigual, seja nas muitas cores dos fios do teu cabelo, cedo, de manhã...

Necka, 20.07.09

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Leio.