Quisera que nenhuma outra mão desatenta tivesse tocado a pele fina dessa pétala. E que nenhum outro lábio tivesse visitado seus cantos, seus limites, a textura lisa que tem. Quisera que nenhum outro músculo tivesse ousado levantar o dorso branco, tomado de sinais, de três em três, que se estende depois, entregue. Olho e jamais acredito no que vejo. E quisera que nenhum outro olhar antes do meu, tivesse decorado a isso. Que nenhuma outra lágrima tivesse sido sorvida pela tua boca, que não essas, as minhas, quando, de novo, entendo amor. Sobre a camada de fios que passam à minha frente, as luzes todas se movem, as coisas todas se esquecem, o mundo todo se apaga. Quisera, também e em demasia, que nunca tivessem sido antes e de mais ninguém, esse teu riso mais largo – lindo, provocado na mais profunda pureza, um riso inevitável que tentas conter e é impossível. Eu passaria a vida toda assistindo a ele, quando ele chega e me deparo, de repente, com a beleza inteira que tem – olho, e custo a crer no que vejo. Quisera que teu desejo jamais tivesse brotado antes, para que ele fosse, somente hoje, como tem sido – revestido de alegria e nenhum medo. Que tuas mãos nunca tivessem vasculhado, que tuas pernas nunca tivessem se tramado, que tuas noites nunca tivessem acabado sós. Entre nós, é como se o resto todo antes precisasse ser descartado, removido, retirado de onde esteve e como foi. Quisera que teu corpo fosse como foi o meu, que tivesse esperado mais para poder ser inteiro. Olho e não acredito no que tenho.
NA. 29.10.2009
NA. 29.10.2009
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Leio.