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13 de jan. de 2010

Eu estava lá, mas não era lá que eu queria estar...

Simplesmente não era verdade. Falaram do contraste das cores sobre a pele que desfilei ali, a mescla de repente da cor de caramelo contra a cor de chocolate, como as duas de nossas coberturas de sorvetes. Tentei dizer que não era verdade. Que não foram exposições programadas com o corpo esticado sobre as cadeiras, que não foram produtos recém-lançados que aceleram o bronze acanelado; tentei provar, sem dizer certamente o que devia, que eu estava lá sim, mas nem queria. Não fora um verão assim, ao pé-da-letra. Não havia férias agendadas. Não fizemos reservas em pousada, nem compramos passagens de primeira. Tinha sol, tinha mar e tinha areia, tinha gente demais a disputar os raios e mais leitos vazios à sombra pasmaceira. Mas não era verdade a temporada, nem de fato uma escolha feita ao mapa, nem turismo ou pacote, não era nada! E eu que já estava lá, não me encontrava. Falaram das fotografias expostas e constataram nelas, minha cara. Comentaram das estradas verdes e dos azuis degradês de tantas praias. Viram-me andar de saias com pernas escuras e eu lá media os passos e nem ia. Eu sei que estava lá, mas não queria.
Foram várias as marcas que deixamos e mais fortes as muitas que trouxemos. De maiôs e biquínis, de lembranças, de sentenças deixadas sem direção dentro de nossas cabeças. Foram muitas as cenas que gravamos de um verão que não houve e ainda lembro. Nossos olhos salgaram mais o mar do que já era. Atiramos coisas em oferenda e saltamos as 7 ondas que vieram tropeçar em nossos pés. Nossas mãos nunca ousaram apoiar-se tanto umas nas outras. Eu sei,...eu estava lá, mas não era lá que eu queria estar.

Necka Ayala 13.01.2010. (Como Se Fosse Verdade Este Verão...)

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