Simplesmente não era verdade. Falaram do contraste das cores sobre a pele que desfilei ali, a mescla de repente da cor de caramelo contra a cor de chocolate, como as duas de nossas coberturas de sorvetes. Tentei dizer que não era verdade. Que não foram exposições programadas com o corpo esticado sobre as cadeiras, que não foram produtos recém-lançados que aceleram o bronze acanelado; tentei provar, sem dizer certamente o que devia, que eu estava lá sim, mas nem queria. Não fora um verão assim, ao pé-da-letra. Não havia férias agendadas. Não fizemos reservas em pousada, nem compramos passagens de primeira. Tinha sol, tinha mar e tinha areia, tinha gente demais a disputar os raios e mais leitos vazios à sombra pasmaceira. Mas não era verdade a temporada, nem de fato uma escolha feita ao mapa, nem turismo ou pacote, não era nada! E eu que já estava lá, não me encontrava. Falaram das fotografias expostas e constataram nelas, minha cara. Comentaram das estradas verdes e dos azuis degradês de tantas praias. Viram-me andar de saias com pernas escuras e eu lá media os passos e nem ia. Eu sei que estava lá, mas não queria.
Foram várias as marcas que deixamos e mais fortes as muitas que trouxemos. De maiôs e biquínis, de lembranças, de sentenças deixadas sem direção dentro de nossas cabeças. Foram muitas as cenas que gravamos de um verão que não houve e ainda lembro. Nossos olhos salgaram mais o mar do que já era. Atiramos coisas em oferenda e saltamos as 7 ondas que vieram tropeçar em nossos pés. Nossas mãos nunca ousaram apoiar-se tanto umas nas outras. Eu sei,...eu estava lá, mas não era lá que eu queria estar.
Necka Ayala 13.01.2010. (Como Se Fosse Verdade Este Verão...)
Foram várias as marcas que deixamos e mais fortes as muitas que trouxemos. De maiôs e biquínis, de lembranças, de sentenças deixadas sem direção dentro de nossas cabeças. Foram muitas as cenas que gravamos de um verão que não houve e ainda lembro. Nossos olhos salgaram mais o mar do que já era. Atiramos coisas em oferenda e saltamos as 7 ondas que vieram tropeçar em nossos pés. Nossas mãos nunca ousaram apoiar-se tanto umas nas outras. Eu sei,...eu estava lá, mas não era lá que eu queria estar.
Necka Ayala 13.01.2010. (Como Se Fosse Verdade Este Verão...)
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