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4 de jan. de 2010

Ondas do Mar

Nossos olhos se encheram de mar. Não era assim que se queriam. Nem era ali, naquele lugar tão lindo, que lágrimas deviam ter se acrescido ao mar. Mas é a ferro e a fogo que coisas são gravadas em nossas existências e nos ensinam. É assim, simplesmente é. Não porque inventamos que se aprende mais pela dor, apenas a dor se grava, agrava o que somos, enquanto as alegrias passam e se esquecem ao longo do tempo.
Digo a ti, neste momento novo e desencantado, que te amo justamente porque compreendes e vês a necessidade daquelas horas, minhas – as quietas, as silenciosas, as solteiras, quando a música e a poesia se iniciam. Porque entendes que somente quem observa a tudo com olhos contemplativos, consegue depois a tradução, a harmonia. Mesmo tendo vivido pouco, ainda assim, sem instrumentos que te permitiriam mais e mais compreensão, já sabes que no mundo é preciso haver de tudo um tanto, de cada tipo, de cada espécie, de cada forma, um pouco. Ainda que tenhas vivenciado pouco, tua alma conhece os mecanismos, os atalhos, as coisas queridas dos outros, mesmo que se desassemelhem das tuas e as respeitas. Como respeitas ao diferente de ti, justamente, por ser diferente de ti.
Digo a ti neste momento desencantado, que o desencanto em si traz mais verdade. Se antes havia a ilusão da perfeição, hoje sabes que não era assim, que havia máscaras e armaduras além das tuas, que havia entraves e lugares negros onde outros se escondiam. As tuas máscaras, despiste; em teus lugares, pousaste luz. Das coisas que fazias e que nem sempre era as que gostavas ou querias, te despediste para dar lugar a outras que agora te encantam mais ao lado de dentro: as conversas limpas, os abraços longos, a porta da casa que te parece hoje o melhor lugar do mundo e de fato o é! Se antes a rua era a única saída, neste instante tens para onde voltar, tens quem te espere para ser contigo, plural. Se antes era melhor a fuga à realidade, neste ano que se inicia e nos últimos meses da tua vida, não há mais motivos para fugas e a realidade é melhor do que sonhaste um dia. Pediste pelo Amor quando saltaste as 7 Ondas do Mar e ele veio.
Nossos olhos se encheram de mar recentemente. Seguem vertendo a água salgada que lhes compete verter. Em breve irá passar essa sensação que se interroga de horas em horas - um por quê?! Quando nossos olhos secarem ao Sol de Brasília e à luz da nossa casa, talvez possamos ver onde está a resposta que esperamos. Digo a ti, neste momento desencantado, que viver consiste nisso mesmo, em sombra e luz, idas e vindas, beijos de amor e algumas despedidas. Estou aqui, mais do que jamais estive, para que tenhas nas minhas mãos a firmeza e a delicadeza, a cumplicidade e a fé em Deus que nunca, nunca, nunca D’Existe.
Necka, 04.01.2010

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