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4 de jan. de 2010

E.T

“Sou um Homem Comum, qualquer um...enganando entre a dor e o prazer. Hei de viver e morrer como um homem comum, mas o meu coração de poeta projeta-me em tal solidão, que às vezes assisto a festas e guerras imensas – sei voar e tenho as fibras tensas e sou um.” (Peter Gast, Caetano)

De onde venho as estradas não são de asfaltos, mas de passos contados no tempo por pés que buscam, apenas buscam ir e nada mais. De onde venho os céus não são de nuvens, mas de asas e de riscos deixados feito rastros, por braços que tentam ir e nada mais. De onde venho os amores não são de possuir nem de ditar, mas de se regozijar quando estão juntos, quando se procuram e se encontram e apenas são assim, sem nada mais. Lá, fios de cabelos, quando longos, adornam o vento e não a face – as faces, não importam tanto. Quando curtos, o são para deixar mais vento passar por ali, livre, solto – lá, alguns se despem da vaidade. No meu lugar e eu não lembro onde ele fica, a soma de todas as pessoas perfaz uma, como a soma das águas forma um oceano e a ele não importa o que lhe pousa ao fundo ou lhe flutua à superfície. Ele é e isso lhe basta, nada mais. E na soma das pessoas há de tudo: umas que são lágrimas, outras que são risos, umas que se calam, outras que só gritam, gente que é dos gestos, gente que é das preces como são algumas de esperar enquanto outras tecem.
De onde venho as palavras se conhecem pelo seu entendimento e tentam, como tentam, proferir suas essências, a verdade e nada mais. Procuram a mais exata, se comungam em orações e em poemas e tudo que não querem é ferir. De onde venho se entende que tudo que existe merece compaixão: tanto aquilo que afaga, quanto aquilo que corta; tanto aquilo que mata, quanto aquilo que brota; tanto aquilo que afasta, quanto aquilo que gosta.
Se vim parar aqui é porque aqui eu devo estar agora. De vez em quando me reservo o direito e a necessidade de visitar meu canto, meu espaço sagrado, meu ponto de encontro com o que sou. Permito que assim também o façam meus semelhantes e meus diferentes, que estejam onde querem estar e como queiram. Não os acuso de não virem comigo quando vou. Não os aponto as diferenças nem as julgo, quando há. No meu lugar, de onde eu vim, tudo faz sentido e tem seu próprio motivo de estar vivo. Não me cabe nada mais. Mas eu queria entender mais. Queria compreender mais, ir mais além. Queria saber os porquês de alguns olhares saírem enviesados como saem, sem querer ver a nada, assim, tomados de cegueira! Queria conhecer as razões que têm as palavras vestidas de lâminas que escuto às vezes. Entender como é estar viva e, somente por isso, ser motivo de ataque. Não entendo. Eu não entendo o que se passa aqui. Não entendo que se queira de um ser inesgotável, apenas uma parte, uma menor que todas e a mais desconhecida, para fazer dela um alvo. Por que atiram contra teus lindos olhos cenas brutais, dizendo que te amam? Eu não entendo como te amar não causa apenas beleza e serenidade em quem se diz te amando. De onde vim a própria presença do amor já é benéfica, já traz leveza, já faz poema.
De onde vejo as coisas todas agora, me parecem todas tortas, ásperas e confusas. Mas não foi tua mão que trouxe tudo à tona, tudo que não entendemos nem queremos para nós. De onde vejo, não foram as minhas também. Fomos mostrar alguma luz e nos cegaram. E agora? Que nos resta fazer senão pedir aos céus por mais coragem? Teremos, porque o Amor São a tudo concede e a tudo permite. Este Amor cuja palavra segue infinitamente menor do que seu mais pleno exercício.

04.01.2010

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