De novo ela se atrasou...são 10h15 da manhã e a Lua Branquinha está ali, grudada no pedaço de céu azul- claro que lhe cabe. Faz um dia estranho, atípico. Tem alguns silêncios cortados por vozes não benvindas e as horas passam tropeçando na gente. Parecem querer dizer ao pé do ouvido: casa...vai pra casa curtir a vida, assar um bolo gostoso que cheire à canela com açúcar, ouvir uma canção nova ou pegar o violão e caçar acordes. Aqui, a vida tem sido assim, de pedaços de coisas que se alinhavam, se costuram e que a gente tenta muito ver que forma vai dar, mas não consegue. Daqui, também, a sensação tanto vem como vai, de estarmos fora da festa, de que as coisas estão acontecendo noutro lugar. Mas, ao mesmo tempo, tem paz. Tem a segurança da vidinha trabalhada, do final do dia e o cansaço na hora de ir embora, do trânsito que piora a cada semana, da casa esperando a gente pra ser casa de alguém. Tem o sossego das coisas seguras, lembrado pela cara plana que a cidade tem. Não tenho tido é tempo. Tempo de ficar com as palavras saltando à minha volta, com as cordas sendo limpas pela flanela verde e as idéias sobre as pessoas, as saudades de algumas, levantando pêlos de repente. Não tenho tido é isso, esse contato com o lado de dentro que antes era vital e agora se faz quase um hóspede infreqüente. Não sei, talvez não precise apenas desse mergulho do qual eu vivia. Mas sinto falta – é nostalgia.
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Leio.