“Se, em algum lugar do mundo, existe gente que é destino, o encontro é lindo por ser, simplesmente, encontro.” (Taiguara)
Eu não lembro de estar procurando a nada em especial, a não ser exílio. Ali, naqueles dias loucos, desvairados, de ruas desvairadas e chuvas finas, prédios cinzentos, noites viradas, havia alguma luz e ela vinha de ti. Se havia alguma cor, vinha de ti. Lembro de estar disposta à vida. E isso me bastava por hora. Não estava prestando atenção ao que estava ali. Nem a ti. Mas de repente, por causa de um gesto que anunciava tua partida, veio a claridade inteira me assombrar: ficar sem? Não! Eu não podia mais. Aí sim, passei a ver o que não via e achar pistas onde não estava olhando. Achei teu cheiro na minha pele, de repente. E me soou familiar e necessário. Achei uns fios brancos sobre a cama e me pareceram tristes e perdidos, mas meus agora. Achei objetos teus que deixaste e os guardei querendo prever que te veria de novo e os devolveria. Fui achando a ti em mim em coisas que não eram mais tão novas e já eram necessárias. Quando me aproximei do que ali já queria encontrar de fato, a primeira impressão foi teu afastamento. A tua primeira opção foi o afastamento. Eu ainda não era necessária. A noite veio e te trouxe refeita da primeira impressão e do primeiro gesto. Naquela noite, tarde, muito tarde, a luz que era tua e a cor que imprimias em tudo, vieram pra ficar. Quando amanheceu, mais cor – já éramos mais um tanto. Não lembro de ter te procurado, mas te encontrei em meio à toda tempestade e a necessidade de exílio. Hoje, para tudo que ando, vôo, navego, tens chão, tens asas e és cais.
NA. 29.01.2010
Eu não lembro de estar procurando a nada em especial, a não ser exílio. Ali, naqueles dias loucos, desvairados, de ruas desvairadas e chuvas finas, prédios cinzentos, noites viradas, havia alguma luz e ela vinha de ti. Se havia alguma cor, vinha de ti. Lembro de estar disposta à vida. E isso me bastava por hora. Não estava prestando atenção ao que estava ali. Nem a ti. Mas de repente, por causa de um gesto que anunciava tua partida, veio a claridade inteira me assombrar: ficar sem? Não! Eu não podia mais. Aí sim, passei a ver o que não via e achar pistas onde não estava olhando. Achei teu cheiro na minha pele, de repente. E me soou familiar e necessário. Achei uns fios brancos sobre a cama e me pareceram tristes e perdidos, mas meus agora. Achei objetos teus que deixaste e os guardei querendo prever que te veria de novo e os devolveria. Fui achando a ti em mim em coisas que não eram mais tão novas e já eram necessárias. Quando me aproximei do que ali já queria encontrar de fato, a primeira impressão foi teu afastamento. A tua primeira opção foi o afastamento. Eu ainda não era necessária. A noite veio e te trouxe refeita da primeira impressão e do primeiro gesto. Naquela noite, tarde, muito tarde, a luz que era tua e a cor que imprimias em tudo, vieram pra ficar. Quando amanheceu, mais cor – já éramos mais um tanto. Não lembro de ter te procurado, mas te encontrei em meio à toda tempestade e a necessidade de exílio. Hoje, para tudo que ando, vôo, navego, tens chão, tens asas e és cais.
NA. 29.01.2010
Belíssimo texto, minha cara! Aprecio esta escrita poética-pulsante-fulgurante, em que as letras vão tecendo linhas e rendas, redes de estrelas, de esperanças, de vislumbres, de sentidos e cintilações! Deixo abraços alados azuis e votos de um ano pleno de amor e arte!
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