Às vezes me parece tudo tão errado. Como se eu, talvez, estivesse vivendo no mundo-destinatário equivocado para onde me mandaram. Vejo pessoas, tantas, pronunciando o quanto amam, o quanto gostam com atitudes tão distantes dessas palavras! Pessoas que alegam coisas, sentimentos que não vingam, que não se traduzem em gestos, em atitudes de quem sente. Vejo preconceito, vejo egoísmo justamente de quem mais visita templos, igrejas, pratica yoga, medita e ora! Vejo julgamentos de quem mais se diz alheio ao ato de rotular os demais. Vejo injustiça, vejo chefes que não chefiam e falham mais que seus subordinados. Vejo subordinados se submetendo às próprias limitações, como se não pudessem ir além do que são. Vejo lugares ocupados por pessoas que não teriam a dignidade de estarem ali, ditando regras, acusando outros, jogando o foco de suas cenas patéticas para longe. Ouço pessoas ligando para falarem única e exclusivamente de si, quando pronunciam que o fizeram por amor. Vejo pessoas do mesmo sangue, escondendo notícias, não por proteção, mas por não quererem a inveja de quem nunca a teve! Vejo amigos não sendo amigos, nunca, isolados em suas anti-escolhas. Me parece estar tudo errado, quando um movimento bonito é acionado e se chamam as pessoas, de modo feliz, contando que venham também partilhar do gesto de comunhão, e...nada acontece. Me entristece que não se pratique mais a verdade, que não se pronuncie mais a ela – uma riqueza, uma gentileza de Deus para que nossos mais firmes passos sejam possíveis. A verdade. É dela que gosto. Daquela que, se a gente pede uma coisa que alguém não está disposto a fazer, se valha dela e diga: não estou disposto a fazer, ok? E me bastaria a verdade disso. Eu seguiria feliz e confiante, porque teria como confiar. Mas e esses mil silêncios, essas ausências, essas presenças ilusórias, esses amores disfarçados e ignorantes que julgam saber o que nunca viram? Mas o que fazer com aquilo que nos atropela no meio do dia, nos derruba e esmaga as flores que levávamos nas mãos? O que fazer com tanta hipocrisia, tanta incoerência, tanta distância entre ser e parecer?
Às vezes me parece tudo errado. Às vezes tudo está mesmo errado, tudo é. E, nessas horas, eu encontro abrigo nas coisas sagradas que vieram comigo desde a minha mais ancestral educação; minha fé num Deus que a tudo vê, dentro e fora da gente. Minha confiança N’Ele que a tudo conforta e consola quando legítimo. Minha esperança na arte que a tudo resgata – arte redentora que extrai em lágrima, suor e palavras, aquilo que nunca terá explicação. A arte tira de nós a dor pelo que de nós, tiraram os outros. Eu vejo. Eu sinto e eu sei. E assim como me vêem, também os vejo. A diferença, talvez mínima entre nós, é que eu não gostaria de mandar ninguém para a escuridão do esquecimento. Gostaria de trazer a cada um para a luz da comunhão e do engrandecimento. E eu sei, Meu Deus, que é por esses que eu mais devo ter preces feitas e velas acesas.
Necka. 22.02.2010.
Às vezes me parece tudo errado. Às vezes tudo está mesmo errado, tudo é. E, nessas horas, eu encontro abrigo nas coisas sagradas que vieram comigo desde a minha mais ancestral educação; minha fé num Deus que a tudo vê, dentro e fora da gente. Minha confiança N’Ele que a tudo conforta e consola quando legítimo. Minha esperança na arte que a tudo resgata – arte redentora que extrai em lágrima, suor e palavras, aquilo que nunca terá explicação. A arte tira de nós a dor pelo que de nós, tiraram os outros. Eu vejo. Eu sinto e eu sei. E assim como me vêem, também os vejo. A diferença, talvez mínima entre nós, é que eu não gostaria de mandar ninguém para a escuridão do esquecimento. Gostaria de trazer a cada um para a luz da comunhão e do engrandecimento. E eu sei, Meu Deus, que é por esses que eu mais devo ter preces feitas e velas acesas.
Necka. 22.02.2010.
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