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22 de fev. de 2010

Ponto de Vista

Mesa de Bar, conversando com 2 pessoas que têm minha admiração pelos corações que levam dentro do peito – justamente aqueles desprotegidos, mais fáceis de atingir, portanto – os bons. Pensando nisso, que graça teria atingir os corações dos fortes, os frios, os que nada sentem?
Falávamos sobre as relações entre pessoas de modo geral, não vingarem por aqui. Parece haver um distanciamento natural, culpa da falta de carros, da distância entre os setores (bairros, noutras cidades)...não se soube definir com exatidão. Mas há. Aqui, no DF, pessoas fazem as seguintes perguntas: ‘onde você trabalha e onde você mora’( você dito pelos demais, eu sigo dizendo TU). De acordo com a resposta, sai, imediatamente, um rótulo que lhe permite ou lhe afasta definitivamente o contato com o inquisidor. Se a resposta for, por exemplo, Ceilândia, é 'control+alt+del'. Se for Sudoeste, dá-se um 'enter' (sorriso ao mesmo tempo de admiração e de mais questionamento). É como se fosse um cartão de visitas ou um passe-livre, entendem? Eis que, mesmo que a gente more bem e trabalhe numa empresa bem-quista, não quererá dizer muito, com o passar do tempo. As relações simplesmente não dão frutos. Não adianta. E, por mais que se tente uma aproximação, um olhar nos olhos, um falar sério, isso não é bem recebido. Aqui, as pessoas são cobertas com insufilm. E aí é que reside o maior paradoxo entre o meu ponto de reflexão e o céu de Brasília, tão bem falado, idolatrado, salve salve! O céu daqui é lindo, emite raios claros de sol, tantos e tantos dias a fio! O céu daqui é pura cor, pura definição, puro contorno, contraste, oferecendo a todos os habitantes, as cenas mais nítidas, mais passíveis de possibilidades. Mas nos olhos das pessoas daqui, há uma película protetora contra a clareza, a verdade, o contato com outros pares de olhos, outros corações.
Necka

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