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8 de ago. de 2010

A Duas.

Às vezes taça, às vezes gelo; às vezes palavras duras, cruas, nuas, inteiras, às vezes silêncio e um gesto grave, contra a parede. Às vezes rua, às vezes cortinas fechadas e uma fresta por onde passe o bastante de alguma luz da rua. Às vezes fé e igrejas, às vezes força e coragem, mas às vezes, na maior parte, lugares arriscados, viagens novas, asas de aviões e elevadores, banco do carro em meio ao trânsito. Às vezes carícia, às vezes dentes. Às vezes minha, às vezes tua; às vezes uma, às vezes todas. De vez em quando céu e um silêncio; às vezes chão e algum gemido. Às vezes ‘eu te amo’ e olhos molhados, às vezes ‘eu te quero’, lábios molhados. As vezes sugeridas, as vezes nuas. As vezes uma, outras as duas. Umas em meio à multidão que passa, outras, a duas. Às vezes roda de amigos e de violas, às vezes rodas e cds virando a noite ao fundo. Às vezes alimento, às vezes comida. Mais vezes nua, menos despida.
Necka Ayala

Um comentário:

  1. Tem textos que me dão dois tipos de sensações:

    a primeira: "meo! que lindo isso!"
    a segunda: "por que não pensei nisso antes?"

    deleite e raiva, epifania e orgulho, reverência e uma inveja, sempre santa, sempre branda, sempre branca, por você.

    saudades
    enorme
    sempre

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Leio.