Eu realmente te amo. E não to dizendo isso porque precise dizer ainda, porque precises ouvir ainda. Digo porque sempre que sinto algo, repito, descrevo, traduzo em letras ou troços, poemas ou cartas, de alguma forma – porque tem de sair de mim, ser dito, posto, repetido. Digo de novo porque sinto de novo. Se sinto, é porque talvez seja a única verdade agora e ela se erga sobre tudo mais, enquanto tudo mais vem mudando de forma, de peso, de medida, de intensidade. A saudade se esvazia, deixa mais espaço para tudo quanto eu queira para o presente que é hoje ainda, hoje à noite. A tristeza se dilui dentro, diante de tudo quanto eu sorria. O passado se afasta feito estrada percorrida, retratada num retrovisor, como se andasse às costas dos olhos, me parece – e quero chegar logo ao próximo instante, porque sei que ele também será fugidio. Digo de novo porque acabei de sentir de novo esse mesmo amor súbito, ainda que a cada vez que eu o sinta, ele tenha outra cara, outro teor. Repito, porque amanhã pode ser um dia qualquer que não queiramos que venha, pode acabar uma parte do mundo onde eu esteja e preciso que saibas disso o tempo todo, como se o tempo todo nunca fosse acabar com nada. O tempo acaba com as coisas. O tempo muda algumas coisas. Nos faz querer coisas novas, outras, mas eu quero continuar te querendo como quero agora, como queria ontem e há 1 ano e 8 meses atrás. Quero continuar tendo de dizer que te amo, porque meu coração não se contenta em sentir isso, essa coisa sem precedentes ou comparações. Amor puro, sadio, que troca e que oferece, que observa e assiste, que atenta e acaricia, que ousa ser a cada dia, mais amor do que era antes, um dia antes apenas. Amor de cara lavada e alma limpa, de mãos abertas ao que o Criador oferta e propõe; de querer ser mais para poder conciliar mais, dentro e fora; de procurar estar com, ser de, poder para. Digo de novo que te amo para eu poder parar de sentir qualquer outra coisa que não seja amor inteiro. Sinto sim, outras coisas, mas essas outras são mais minhas do que tuas e recém aprendes a aprecia-las como eu aprecio...no calor quando ele envolve a tudo e cala palavras para que gestos possas existir. Te amo também porque me apaixonas gradual e firmemente, enquanto o tempo data mais um tempo do jeito dele, racional e numérico demais para minha cabeça doida. Te amo, eu acho, porque te querer não basta, não sacia por mais que sacies minha vontade de ter vida. Porque te olhar não basta, te fotografar não basta, te decorar os cantos do corpo não basta, não sossega, não resolve. Te amo porque te querer bem não é o bastante e pedir a Deus que te cuide não me convence o bastante. E repito, porque neste momento te amo de novo, mais do que há minutos atrás...por que te amo? Não sei, nunca soube todas as vezes em que amei. Sei que amava e amar me era o suficiente. Agora, neste presente, amar é sentir amor de volta, vindo de ti e poder te ofertar o meu que se atira às tuas mãos e te repete: pega!
NA. 29.09.2010
NA. 29.09.2010
Não sei explicar o que sinto. Queria ao menos ser capaz de expressar essa sensação que me toma, que me provoca risos fora de hora, que me faz chorar à menor menção de te perder um dia. Mas me faltam palavras, me faltam gestos, me falta jeito, talvez. Não sei. Sei apenas que te amo, que tenho essa certeza renovada a cada amanhecer, a cada vez que sinto teu cheiro ou que beijo teus lábios. A cada anoitecer, quando finalmente o dia acaba e te reencontro, se repete em mim a sensação de felicidade plena, a certeza de ter escolhido alguém que me faz muito mais feliz do que jamais imaginei ser. Não sei como descrever o que sinto, porque dizer que te amo seria pouco e não representaria o todo do que é, do que és e do que desejo que sigas sendo na minha vida.
ResponderExcluirTua, mais a cada amanhecer.
Feliz 1.8 (atrasado), meu amor.