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23 de set. de 2010

Só hoje consegui achar o instante vazio que precisava. Esses dias todos evitei encontrar comigo mesma. Sabia que me veria no fundo da alma e te veria ali. E não estarias a semana toda. Então fugi, fiquei fingindo que as horas estavam passando. Hoje não. Hoje deixei que eu viesse ao meu encontro. A noite venta e afasta a cortina da simetria perfeita. Tem silêncio e música de doido ao fundo. E eu posso, hoje sim, eu posso ir caçar palavras, ir casar notas com seus acordes que não sei que nomes têm. Posso tentar descrever o que sinto além da tonteira, da falta dos teus olhos, do cheiro de fumaça.
Só hoje me dei conta de que amanhã tudo voltará a fazer sentido no que sinto. E hoje eu sinto que quase tudo ficou para trás e eu não sei mais se quero voltar lá. Vejo as ruas à nossa frente. Vejo nomes e coisas que faremos de novo e outras. Amanhã talvez alguém que amamos muito esteja aqui a esta mesma hora. E eu nunca vou conseguir explicar para o mundo, que eu vivia sim de poemas sobre as coisas lindas que a vida pode ter. Mas passei a viver essas mesmas coisas lindas que a vida me permitiu também ter.
23.09.2010 - 20h39

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