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23 de set. de 2010

Dalai?...

“....uma montanha e uma árvore...precisa mais o que?” (Dalai)

Ver. Preciso ver. Imaginar é bom e é lindo, porque tudo é mais lindo dentro, antes, do que ali, depois. Mas depois da graça alcançada, do presente aberto é hora de toca-lo, desvendar suas engrenagens, aderir ao riso, apaixonar-se e mirar o que há por ser vivido com. Depois de abrir é preciso brincar. Como depois de sofrer é preciso re-acreditar e, depois disso, perder o fôlego na expectativa do presente, do pedido atendido por Deus, para somente então poder rasgar o papel colorido e...ver!
Eu não sei dizer o que é beleza. Sei que preciso dela, preciso que meus olhos reflitam a presença dela, vendo! Preciso comer dela, para que meus lábios possam saciar-se (nunca) do gosto dos lábios dela. Preciso respirar a beleza no cheiro que me entontece, dela. Preciso acariciar a beleza enquanto a vejo, a beijo, a sorvo ar adentro...sentir a textura que a beleza tem, como deslizam os dedos dos gestos de boa-vontade sobre a pele de pêssego que tem. Preciso ouvir as palavras de vento que ela sopra aos meus ouvidos, aos meus ouvidos que nem sabiam que queriam ter ouvido isso a vida inteira.
Uma montanha...firme, sólida, às vezes verde contrastando outro. Ver, é preciso vê-la, a montanha, para que saibamos dela. Por que vamos? Porque por menor que seja nossa humildade em admitir, precisamos da beleza, todos. Precisamos saber que ela existe para além da nossa imaginação e querência. Precisamos que exista um Deus no qual possamos acreditar ou dês-creditar. E é isso mesmo, na essência da fé, o que nos faz calcar estradas, traçar em rodas as curvas fechadas das serras, para irmos ter com a montanha. Imagina-la não nos basta. Nenhuma foto basta à nitidez infinda da montanha. Precisamos dos passos até ela, do ar sendo trocado por dentro no ar puro da floresta; e esperar que se erga diante da vista aquela imponência da montanha. Ver, é que temos de ir ver. Estar lá na hora certa e pronunciar um sim irrepetível. Somos carne e ossos e sangue e células que pulsam – precisamos da pele sobre a grama, do sol sobre a cabeça, do vento desalinhando os cabelos; precisamos sentir, pegar, cheirar, lamber e enxergar a beleza. Sim, é preciso cada poema que se escorra sobre o beijo. Mas depois dele é preciso beijar! E é tão certo isso, que, por Deus, na hora em que se beija só se pode ver os próprios olhos refletidos nos olhos da beleza – ali, a imaginação assiste silenciosa pela fresta, assustada.
Uma árvore é um ser que gera fruto, para o fruto ser visto, escolhido, possuído, mordido, cheirado, enquanto se ouve a seus pedaços se partindo na ponta dos nossos dedos e dentes. Somos matéria. E, ainda que tenhamos a sina de possuir sentimentos, ainda assim, sentir é querer ver.
Eu preciso da beleza. E nem sei se sou humilde ou mais ainda, sincera. Sei que convivo com ela, diariamente e ainda me espanto com coisas que nem eu sabia que imaginava. Eu tinha sentimentos. E eles foram esperados, cultivados, pedidos ao Criador. Depois que vieram, comecei a precisar brincar com eles e descobrir que para sentimentos, existem os sentidos. São pares sendo quase uma coisa só...se sente onde? Fora do corpo? Se sente e se arde a vontade de ver.
Sei que imagino o mar e quero o salto, o mergulho e o silêncio. Sei que imagino o céu e quero asas, ventos, nuvens tranqüilas e o sol de pondo.

23.09.2010

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