Gosto de pessoas fortes, embora me toquem as pessoas frágeis, entregues à sensação de abatimento, como diz Elis em Rebento (Gil). Mas as pessoas seguras que andam pela rua de cabeças erguidas, mirando o que lhes vem à frente, certas de que se sairão bem tenha o tamanho que tiver o obstáculo, me causam conforto. Sentir-se forte, saber-se apto, acreditar-se capaz – é para poucos. E falo sobre isso lembrando o semblante sorridente e aberto de um amigo que tem passado seus bocados! Ainda que a vida esteja, ultimamente, lhe tirando mais do que lhe oferecendo, ele sorri, apenas sorri e se mostra carinhoso e afável. Admiro isso nele e em outras pessoas. O mesmo quanto aos que precisam de afeto: há sim, aqueles que necessitem enfermamente de afirmações periódicas de tantas em tantas horas, em doses contínuas, até que faça algum efeito, o quanto lhes queremos bem. Mas há aqueles que deixam simplesmente que os sentimentos sejam mostrados pelas mãos generosas e quase incapazes de mentir, que eles frutifiquem em paz e ofereçam mais, do sumo dos afetos. Gosto mais dos que deixam que vivam em paz todas as coisas. Dos silêncios de mãos dadas do meio das noites, porque mãos não forçam a nada quando se querem unir. Gosto mais das liberdades dadas, que permitem que se volte porque se quer voltar, acima de tudo, sem traçar contornos para os passos, confiando no querer legítimo. Gosto mais daquilo que não se pergunta, porque se sabe, no íntimo, a resposta. E da espera sadia por uma declaração que venha solta, sem mais nem menos.
Mesmo que me comovam os que chegam às vezes com lágrimas pendendo dos olhos, eles quase sempre me remetem aos pedintes das ruas das cidades. Temos compaixão, mas isso nos repele, pois quase nada podemos fazer diante da miserabilidade de suas existências. Nada podemos fazer quanto aos sem-coragem, aos sem-teto, aos sem-forças, aos sem-segurança. Nos pretendemos heróis, mas não os somos. Somos apenas seres humanos tentando ir além, um pouco mais além.
Mesmo que me comovam os que chegam às vezes com lágrimas pendendo dos olhos, eles quase sempre me remetem aos pedintes das ruas das cidades. Temos compaixão, mas isso nos repele, pois quase nada podemos fazer diante da miserabilidade de suas existências. Nada podemos fazer quanto aos sem-coragem, aos sem-teto, aos sem-forças, aos sem-segurança. Nos pretendemos heróis, mas não os somos. Somos apenas seres humanos tentando ir além, um pouco mais além.
Necka Ayala.
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