Mais um temporal se formou sem que eu visse. De repente, turvou-se o céu, virou noite novamente e jorra água sobre o vidro da janela, sem descanso ultimamente. Nada permanece igual, assim sendo. Nada fica limpo por muito tempo, nada intacto. As coisas se entregam ao sol, à luz dos nomes que têm e, sem mais avisos, tornam a ser surpreendidas pelo manto aguado celeste. Voltam a ficar submersas, sob a chuva, anônimas como as pessoas que correm tentando escapar do inevitável. Tudo tem sido assim. Pessoas prestes a partir em definitivo, muitas. Outras que fizeram planos, que pularam ondas à meia-noite da última noite do ano, dormem agora por baixo da terra que também desmoronou. Sonhos esperam num quase descanso eterno, contando que a fé findará também, com eles. Deuses observam a tudo, escravos de suas soberanas vontades, aos quais ninguém desafia o bastante. Por serem Deuses, não se prostram diante dos próprios enganos, nem poderiam. Temos sido assim, também, como tudo mais que passeia sem paradeiro. E esperamos as horas de luz sobre as nossas cabeças, tanto quanto as outras. A quase nada entendemos direito, a não ser a permanência repetitiva das perguntas. Enquanto seguimos perguntando, temporais e pores de sol se formam sem que tenhamos visto. Enquanto tentamos seguir sorrindo e vivendo uma vida repleta de notícias tristes, o sol se põe cada vez mais lindo e forte, a chuva vem cada vez mais rápido e impositiva, os deuses determinam quem fica e quem sai de cena e nenhum amor durará para todo sempre, porque a vaidade inventou a inveja e os Deuses também o são.
Necka. 18.01.2011
Necka. 18.01.2011
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