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9 de fev. de 2011

Dispo os panos que carregas sobre o corpo. E encontro uma nudez que não muda. Sem máscaras, porque assim pede o amor que seja, que tu sejas. Uma nudez que revela tuas profundezas maiores, onde habitam segredos que nem tu conhecias. Dispo tuas vestes e o cenário não muda. Revejo o primeiro sinal, o primeiro brilho que anunciava a verdade que era tua. E ele permanece intacto como antes. Igual. Coisas mudaram ao nosso entorno. O tempo mudou, tornou-se mais úmido e a chuva tornou-se uma constante, como o céu absurdamente cor de rosa das manhãs daqui, repete-se. O que quero agora mudou. Voltar. Voltar. Mas é uma volta que não tem nome, para um lugar que também já não é mais o mesmo. Voltar a ti, despida de tudo todas as vezes. Voltar a mim todas as tardes depois das 4. Voltar aos sons que domino e conheço, que me dão alento ao final de cada dia. Voltar às fotografias que o futuro não amarelou. Voltar a encontrar a Deus dentro de mim, de onde Ele se afasta quando não entendo. Tenho despido a tudo, por tua causa. Despido as mentiras que me contam, despido as atitudes por trás das atitudes para ver a verdade delas tão somente, a verdade, tão somente. E a verdade é sempre uma palavra só. Me ensinaste, com a tua nudez, a querer a nudez de tudo quanto exista. Antes, saber se existem as coisas, mesmo, para depois despi-las também e enxergar o que são, mesmo. Me habituaste a ver o que é. Então, voltar. Voltar ao começo, a um novo dicionário onde as palavras sólidas ainda estejam vivas e as palavras gastas já tenham sido enterradas. Dispo a vida dos véus que a vida carrega sobre os ombros. E encontro uma nudez que não muda, apenas cala meus sonhos, mais uma vez.

Só tu não negas o que dizes sentir. Lapidas, pouco a pouco; ouves. Ouves atenta àquilo que te digo na voz do tempo passado, decorrido, percorrido, apreendido. Era óbvio, mas eu não tinha visto, claro, o óbvio: que para passar algum legado adiante, o ouvinte tem de ser alguém passível de humildade, que ouça! Ouça com os ouvidos igualmente desnudos. E a alma. Tanto quanto para ser tua aprendiz, tenho eu de voltar a mim, ao que era quando eu podia ouvir. Ouvir tornou-se lá, um quase suicídio. Não o é mais. Ouvir agora é quase já prazeroso. Só tu não voltas atrás no que sentes? Tomara! Que Deus ouça com os seus ouvidos impossíveis e sublimes aos sussurros do teu coração ainda puro. Tomara que sejas de fato, assim. Porque tua capacidade de desnudar-se ao todo, tua entrega a ele, teu sim, repetem-se. E ainda que eu não venha a ser o amor da tua vida inteira, terei sido, com certeza, aquela que mais quis ver sobre ti. Minha nudez é esta agora, toda tua. Uma nudez que despe as coisas velhas do passado, que se abre ao novo como náufrago à superfície da água se dá ao sol. A vida veio e nos propôs um dia, sem que soubéssemos, vive? Dissemos sim. Ali, naquele instante vazio, entre o agora e o depois, algo dentro, que já estava nu, quis vir à tona dar-se à luz. E ainda está ali, eu sei, eu vejo, quando todas as máscaras caem. As minhas e as tuas.

09.02.2011

Um comentário:

  1. Não é fácil despir-se do que trazemos conosco, nem de palavras, nem de atitudes, nem de pessoas, não é fácil despir-se de nada, na verdade.
    Não sei se seremos para sempre, mas serás sim, sem dúvidas, o amor da minha vida, pois foste tu a me despir as máscaras, a me mostrar nua a mim mesma, graças a ti senti o sol bater pela primeira vez na face.
    Não é fácil despir as vestes, tirar as máscaras e se conseguimos nos por nuas frente a frente, devemos nos orgulhas disso.
    Não sei se meu amor será eterno, mas sei que repito todas as manhãs o mesmo sim, que sigo te querendo como da primeira vez.
    Para mim, tu és eterna, meu amor e espero que isso não mude nunca.

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