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17 de mai. de 2011

Seein'

Ela gosta de gostar apenas. E isso basta. Gosta de entrar no carro e nos levar a algum lugar que, geralmente, muda enquanto saímos de casa até a porta da garagem. Ela gosta de gostar das coisas e isso serve. Ela gosta de sentir coisas sobre as quais não fala. E de deixar que a preguiça decida o fim da noite. Ela gosta de saber que gosta e isso chega. Ela prefere o amor. Sempre. Amor antes e acima e sobre tudo. Amor de amar mesmo, sem reservas, sem ressalvas. E se tiver de chegar exausta depois de horas de trânsito, com preguiça de qualquer coisa, se precisar mostrar o amor, o cansaço some e o amor aparece, forte, lindo, como recém acordado. As horas de trânsito só a cansam, quando está só. Se eu estiver ao lado, cantando e dançando Nei, ela nem vê a 23 lotada e parada, lenta como o que! Ela gosta de gostar de mim e isso preenche todos os seus cômodos. Não precisa de rompantes, de surtos de nada, nem de ciúmes que ela jura que tem! Nem de dramas, nem de pulos de alegria. Ela gosta de gostar de tudo assim, serenamente. Nunca levanta a voz, a não ser para rir lindamente, um sorriso largo e sem reservas nem ressalvas. E ela gosta muito de rir e de sorrir para as gentes que cruza por aí. Ela gosta de amor e quase mais nada lhe faz falta de verdade. Basta uma flor roxa sobre a mesa – ela nem cheira, nem fotografa: que esteja ali e ela saiba que gosta disso. Mas comigo é diferente: eu preciso dos surtos, dos rompantes. Preciso tentar, mesmo que inutilmente, falar sobre o tanto que é o tanto que sinto e penso. Preciso buscar palavra que caiba, não, que vá além do cabível. Preciso saber, ver, pegar, sorver, fotografar, cheirar a flor sobre a mesa e, talvez, provar dela. Preciso pegar forte aquilo que fortemente me seduz. Ela me seduz. Me seduz o tanto faz com o qual ela leva a vida que leva. Me seduz a ameaça de perde-la, de não te-la mais para olhar e olhar e olhar até meus olhos secarem de tanto beber beleza. Não me importa a cegueira, me importa correr o risco e não perder nenhum segundo do que vejo. Não me importa perder o controle, ceder à loucura, desde que eu vá, instante além, mais um, mais todos que me forem destinados. Ela gosta de gostar. Eu gosto do desvario da paixão que sinto, de quase não me sentir mais de tanto que sinto as coisas que sinto. Me encanta tudo que seja maior do que eu e me arrebate. Como os olhos dela quando caem, raramente – e é quando o resto dela, não se detém mais.

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Leio.