“Tire as mãos de mim e ponha os olhos...”
Naquela varanda não havia ponteiros, o tempo não passava e se passava, pouco sabíamos sobre ele. Havia a nudez inteira contra a luz da lua. E se pessoas passavam e assistiam, não havia pessoas, simplesmente. Não víamos. Não víamos nada. Nossos olhos pendiam cansados e densos, derrubados por um desejo insaciável, sempre mais e mais famintos de mais e mais pedaços nus. Adentrávamos as noites sem saber que noites eram, que fases tinha a lua, onde ela estava pousada, em que canto do céu. Não havia céu na verdade. Havia vôo. E éramos ao mesmo tempo asas e o vento que as sustentava. E o tempo, se passava, pouco podíamos sobre ele. Havia o sabor mútuo de águas mútuas que se misturavam; e se pessoas assistiam, não havia pessoas, porque nada víamos. As horas acabavam passando e nossos corpos se rendiam ao pouco descanso que lhes cabia ter ali, naquela casa longa e branca, sobre lençóis coloridos e a cama alta, beirando o teto. Não havia relógios nas paredes, nada nas paredes. E se de nós dependesse, não haveria paredes. Não haveria calçadas nem dias depois daquelas noites. Não havia nuvens nubladas nem vento frio que nos cortasse a pele cada vez mais nua. E se pessoas acompanhassem ao desvario que nos abraçava, não víamos pessoas indo embora tarde da noite, olhando para cima, querendo nos flagrar naquela varanda. Elas não importavam tanto. Naqueles instantes, fugir do dia era urgente, abandonar a tudo era urgente, esquecer tudo era urgente. Como é urgente agora caçar respostas onde talvez elas não estejam, tanto quanto nós não estamos mais lá.
Naquela varanda não havia ponteiros, o tempo não passava e se passava, pouco sabíamos sobre ele. Havia a nudez inteira contra a luz da lua. E se pessoas passavam e assistiam, não havia pessoas, simplesmente. Não víamos. Não víamos nada. Nossos olhos pendiam cansados e densos, derrubados por um desejo insaciável, sempre mais e mais famintos de mais e mais pedaços nus. Adentrávamos as noites sem saber que noites eram, que fases tinha a lua, onde ela estava pousada, em que canto do céu. Não havia céu na verdade. Havia vôo. E éramos ao mesmo tempo asas e o vento que as sustentava. E o tempo, se passava, pouco podíamos sobre ele. Havia o sabor mútuo de águas mútuas que se misturavam; e se pessoas assistiam, não havia pessoas, porque nada víamos. As horas acabavam passando e nossos corpos se rendiam ao pouco descanso que lhes cabia ter ali, naquela casa longa e branca, sobre lençóis coloridos e a cama alta, beirando o teto. Não havia relógios nas paredes, nada nas paredes. E se de nós dependesse, não haveria paredes. Não haveria calçadas nem dias depois daquelas noites. Não havia nuvens nubladas nem vento frio que nos cortasse a pele cada vez mais nua. E se pessoas acompanhassem ao desvario que nos abraçava, não víamos pessoas indo embora tarde da noite, olhando para cima, querendo nos flagrar naquela varanda. Elas não importavam tanto. Naqueles instantes, fugir do dia era urgente, abandonar a tudo era urgente, esquecer tudo era urgente. Como é urgente agora caçar respostas onde talvez elas não estejam, tanto quanto nós não estamos mais lá.
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Leio.