Ela sabe-se finita. Não pretende mais do que ser assim, tendo dias contados, noites viradas às pressas, a falta de fotografias...ela entende que deva ser assim. Finita. Nem tenta convencer a mais ninguém de que poderia ficar se assim o quisessem ambas as partes, as partes todas em comum acordo de comunhão. Se houvesse pacto, comprometimento, verdade nas palavras ditas no afã dos momentos, finitos também. Palavras também podem verter-se em asas ou cadeados. Podem querer dizer o que não são, o que não querem. Mas ela permanece finita, olhando os dias atrapalhados do calendário. Ela sabe-se rompante, invadindo caminhos e trançando uns aos outros, misturando notícias, pares, ainda que não vinguem. Parece contentar-se com uma espécie de humildade, porque não pode ser comparada ao soberbo, ao deslumbrante, ao infinito amor que a todos convence. Todos preferem o amor, todos proferem amor. Ela fica, enquanto sua permanência for bem vinda e cultivada. Ela sabe-se finita.
Necka Ayala
17.08.2011
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