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4 de ago. de 2011

Também há esse amor que de ti, tudo tem resposta. O amor em ti encontra eco e morada, solo fértil e futuro. Também reside aqui essa cumplicidade sem-fim, essa tomada de rumo como se fosse o mesmo rumo, essa irmandade iluminada. Como há igualmente essa paixão surpresa, aquela, inesperada. Mas há mais que não descreves, nem descrevo, sem palavras ou precedentes, sem fotografia ou provas de existência. E se refere a tempos dos quais não temos ciência. A recônditos, a cavernas submersas em nós que jamais outrora visitamos. Teu corpo havia tempos não se achava nu o bastante. Estava lá. Esteve noutros corpos, conheceu outros e tentou conhecer a si mesmo. Esteve variando, errante, procurando o amor e a cumplicidade onde só havia fome, voracidade, presente e palavra alguma que ficasse. Teu corpo esteve tateando sentimentos, onde se fazia apenas sentidos. O meu, esteve só demais para que pertencesse a alguma coisa. Há mais. E remete a uma intimidade que só se tem de si para si mesmo. Uma ancestralidade, uma existência primeira, de matéria em si, sem batizado. Há esse encontro sem limites de agora. Há o tempo de agora que materializa o que sentimos, que atualiza o que queremos e fornece álibi para o que cometemos. Há essa entrega irreversível, essa fome de cheiro, essa sede de gota, essa vontade de ser parte do que se obtém. Há mais, há essa rendição absoluta, essa abertura de caminhos, esse desvario contínuo que vem e passa, que sacia e se afasta, que retoma e devolve ao mundo aquilo que jamais será seu. Há, também, um antes e um depois. Mas há o instante! Este! Que altera a hora das coisas, imprevistas. Que vaza teu corpo, transborda o meu e não pede licença como não pediu desde a primeira vez. Não sei o que havia, movia teu corpo aquela tarde. Não sei se palavras me convenceriam do teu querias lá, aquela tarde. Mas havia mais já, naquela primeira tentativa da tua boca. Eu quis. Tomei. Sorvi o instante e ainda sorvo quando ele se dá espontâneo e inadiável. Há mais. Teu corpo é mais teu do que jamais fora, quando meu. Minhas mãos agora servem-se do que querem e são plenas, calmas, fortes e cientes do que são. Meu corpo é mais meu agora, quando teu. Tuas mãos se fartam de tomar para si o que procuraram a vida inteira. Há mais nesse instante meridiano, de carne e águas mútuas, de lábios e comunhão.

Necka

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