Pesquisar este blog

4 de ago. de 2011

Follow-in

É como quando tu bates, sem querer, com a quina de um osso contra uma coisa sólida demais. Dói. E por tempos depois, aquele ponto fica ressentido, reacende a dor a qualquer menção de toque. Foi assim. Estava tudo ressentido. Havia acontecido coisa demais, muitos choques, muitas coisas sólidas haviam de lançado contra meus ossos. Eu era puro escombro, destroço, entendes? Havia dessangrado toda. Me ofereceste calor e eu não tinha ao que aquecer. Me deste a mão em movimento e tudo que eu não podia, era ter nada, mais nada, não ali. Me mostraste o fogo e sua combustão quase que espontânea, mas eu era só recolhimento, ocultação e silêncio. Eu era só o pós-loucura, não cabia mais nada em minha cabeça que não fosse um ponto de interrogação gigante, se erguendo de segundo em segundo, gritando alto e não me perdoando por não saber. Me ofertaste um corpo igualmente cansado de buscas, mas eu não tinha carícias pra te dar. Não entendia mais nada sobre a pele fina que me cobria. E a loucura a que nos propusemos, aquela de virar as horas ao contrário, sem contornos e sem culpas, sem expectadores ou seguidores, aquela vastidão toda que queríamos poeticamente conhecer, era tudo que eu não tinha como sustentar. Era terra remexida demais, pós terremoto, tomada de dores e lamentações, e eu não queria culpar a mais ninguém por nada. Eu queria silêncio e parada. Eu queria que minhas terras se acalmassem, dessem tempo ao tempo, esperassem a cura vir se ela existisse. O fogo das tuas palavras, o calor das tuas entradas, a pressa dos teus dias, a insanidade das tuas noites e a nudez escancarada das tuas palavras...tudo era lindo e não cabia nos meus olhos. Fechados, pediam descanso do que viram. Descrentes, pediam fé de onde não vinha. Encontrei o silêncio que procurava dentro d`água. Aquele silêncio que há quando mergulhas, entendes? Onde perdes a dimensão do corpo e o peso que ele carrega consigo; onde nada ouves e todos os movimentos são possíveis; onde nada dói e nada é sólido demais. Lá dentro, o tempo foi dando tempo a mim, que precisava. Fui dando de beber às minhas terras revolvidas e elas, com tanto, se refizeram. O que plantaste ficou lá, semeado e vivo. Mas aquela de mim pediu licença, arrumou malas e partiu para mais longe, mais longe, mais ainda...

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Leio.